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Quarta-feira,  8 de Setembro de 2010

ARTIGOS

Ayrton Baptista

[carregando]

* O autor é jornalista em Curitiba

UMA CÂMARA MAIS ALTA

06.01.10
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Se depender do presidente Lula, o Senado brasileiro vai bombar tão logo 2011 chegue. Ele já está enfrentando problemas em diversos Estados, pois privilegia a disputa senatorial, fazendo seu partido lançar nomes de prestígio para essa majoritária e deixando que corram soltas alianças em que o candidato a governador seja de aliados. O que Lula quer é fazer do PT o maior partido na Câmara Alta. Mesmo que não possa eleger metade mais um, que a sua agremiação saia em vantagem, superando em número o PMDB e outros. Até aqui o Executivo, ainda que sob sua mão forte, ficou dependendo dos humores de senadores do PMDB e algumas alianças em plenário com líderes de oposição.
Por isso e mais alguma coisa que vai transpirar no momento oportuno, o presidente quer no Paraná a eleição da senhora Gleisi Hoffmann, já em campanha, mesmo que a candidatura para o governo não esteja definida. O PT quer ir de Osmar Dias, como se sabe, pois não tem nome capaz de liderar a votação e ajudar Dilma Rousseff. O PT deixou de ser besta, segundo as próprias palavras do presidente. No Paraná, se preciso for, não podendo ir com Osmar Dias, nem Beto, nem Alvaro, pode coligar-se com Orlando Pessuti. Daria um tapa de luva de pelica no governador Requião. Talvez sem muita importância para o próprio, mas já não sendo besta, o melhor é procurar o caminho mais seguro para abrilhantar os votos que possam ser endereçados para a candidata presidencial. Reserva-se, portanto, o PT para uma candidatura própria em última instância?
Correto. Pergunte-se, entretanto, para a mesma senhora Gleisi Hoffmann se ela aceitaria o sacrifício. Hoje talvez diga que sim, mas torcendo que a situação não chegue a isso.
Restaria, então, o ministro Paulo Bernardo. Ou Jorge Samek. O primeiro quer ser é deputado, além de eleger a mulher senadora. O segundo prefere esconder-se atrás da Usina, se isso é coisa possível. Por fim, o sacrifício ficaria (aí não é sacrifício) com o ex-prefeito de Londrina, Nedson Micheletti, ou a também londrinense Lygia Pupato, secretária do Governo Requião e ex-reitora de importante universidade estadual. Tanto o ex-prefeito como Lygia, não tendo outras chances, podem concorrer e marcar presença. Já Bernardo e Samek perderiam a oportunidade de outras funções, a não ser, claro, que apostem firmemente em Dilma e esperem o início do ano seguinte para uma definição. Tudo, entretanto, em nome dos desígnios partidários.
Se bem que não pensando como Lula, outros partidos estão crendo na eleição de uma liderança expressiva para ocupar o Senado. Seria para a vaga número 2, já que a 1ª estaria reservada para o atual governador. Sortudo este chefe do Executivo. Da vez anterior, em 1994, também concorreu diante de duas vagas. Com ele, o seu principal adversário de hoje, inimigo, podemos acrescentar, o senador Osmar Dias. Mas se Requião é dono da camisa 1, Gleisi Hoffmann, Gustavo Fruet, Ricardo Barros, João Elisio, Alfredo Kaefer, Abelardo Lupion, esses todos acreditam subir de posto, mesmo tendo Requião ao lado. Sem problemas. A família Dias já passou por isso. Resta saber o destino do atual senador Flávio Arns. Ao que tudo indica, caminha para voltar à Câmara Federal e pelo PSDB, que o havia eleito em pleitos anteriores antes dele descobrir-se petista desde criancinha. Como fez para o Senado, Arns vai devagar, meio que anonimamente. Mas tem chegado lá.
Por fim, não é preciso especular-se sobre o que na verdade teria levado o presidente da República a privilegiar o Senado, tornando-o mais palatável. A resposta pode ser um não tão longínquo 2014, o retorno. Dele, Lula. Não para o Senado, claro.

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