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Sábado,  4 de Setembro de 2010

ARTIGOS

Tarcísio Vanderlinde

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O autor é professor da Unioeste, campus de Marechal Cândido Rondon

AVATAR e 2012: paradigmas em conflito

05.03.10
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Hollywood vive a febre do Oscar. Em todo mundo, aficionados por cinema costumam acompanhar com curiosidade a premiação. Filmes impactantes costumam ser lançados ao final do ano em época de férias. A possibilidade de se obter sucesso é sempre maior. Alguns são interessantes para analisar e refletem o espírito de uma época marcada por antagonismos e modelos conflitantes. Os filmes “2012” e “Avatar” são emblemáticos neste sentido.
Roland Emmerich, o mesmo do “Independence Day”, dirige “2012”. A história parte do aproveitamento especulativo da crença Maia, de que de tempos em tempos ocorreria um rearranjo cataclísmico do universo. No enredo, a tecnociência pode salvar alguns poucos milhares de representantes da humanidade. O dilúvio bíblico é recontado na ótica de tsunamis colossais que se erguem de profundezas abissais. Os continentes saem do lugar e têm sua fisiologia alterada. Outros filmes como “Impacto profundo”, “Um dia depois de amanhã” e “Armageddon” seguiram uma linha semelhante.
No clima de incertezas que se vive no planeta, Hollywood prepara diversos filmes sobre o gênero para os próximos anos. Não deixa de ser curioso constatar a curiosidade mórbida de milhões de pessoas se divertindo com as diversas possibilidades ou simulações de fim do mundo. Na visão de Emmerich, é possível defender-se de abalos sísmicos continentais, tsunamis gigantescos ou meteoros incomensuráveis utilizando-se de ferramentas disponibilizadas pelo avanço científico. Neste paradigma, um outro mundo é possível com o uso agressivo da técnica. No mundo real, fenômenos naturais impactantes podem fazer emergir barbáries que achávamos que já tínhamos superado.
Indicado para muitas estatuetas, “Avatar”, dirigido por James Cameron, permite leituras mais produtivas. Com um forte apelo espiritual, o filme pode ser utilizado com eficiência para explicar para crianças e adultos o que é sustentabilidade. É também uma metáfora adequada para revisitar a Guerra do Vietnã. Naquele tempo e naquele lugar, a prepotência foi vencida pela criatividade e determinação. Mas, ele lembra também o massacre de indígenas e da natureza na conquista do Oeste estadunidense. Seria oportuno fazer uma análise do filme a partir de outro clássico muito premiado no ano de 1990, e que pode ser considerado uma obra prima: “Dança com Lobos”. O filme foi dirigido e protagonizado por Kevin Kostner. Em “Avatar”, a conquista do Oeste se expandiu rumo às estrelas e o conflito se dá na imaginária Pandora, uma lua que orbita Poliphemus no sistema Alfa Centauro. Como se pode perceber, a mitologia está em alta num mundo em desordem.
Na história imaginada por Cameron, a clonagem pensada inicialmente para fins comerciais - obtenção do “unobtanium” - foi humanizada, e a teoria Gaia se evidencia mostrando a complexidade da natureza como um organismo vivo e que merece ser cuidada com carinho. O fenômeno da bioluminescência, que conhecemos pelos vaga-lumes, cada vez mais raros, mas que também pode ser detectado em outros animais ou vegetais, é explorado com grande impacto no filme. Chama atenção a criação de um novo vocabulário para os nativos de Pandora. A opção lembra as falas Sioux no filme de Kevin Kostner. Novas falas muitas vezes são necessárias para desencadear novas ideias ou apagar falas inconvenientes. Em Cameron, um outro mundo é possível com uso equilibrado da tecnologia. Sofisticação e saber alternativo podem caminhar lado a lado se intercambiando sem o homem precisar ser o lobo do homem. Contudo, na época imaginada por Cameron, a Terra já não passava de um planeta cinzento.

* O autor é professor da Unioeste, campus de Marechal Cândido Rondon
tarcisiovanderlinde@gmail.com

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