O Presente

Sábado,  4 de Setembro de 2010

ARTIGOS

Elio Migliorança

[carregando]

O autor é professor em Nova Santa Rosa

EMPURRANDO COM A BARRIGA

10.03.10
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Podemos ligar a TV a qualquer hora e lá estão eles, os paulistanos, iguais ilhas, cercados de água por todos os lados. Fenômeno tão previsível quanto o nascer do sol está tirando o sono dos políticos de lá, interessados num voo mais alto, e que serão cobrados pelos problemas não resolvidos. É o mais cristalino exemplo de uma situação que veio ao longo de décadas sendo “empurrada com a barriga” pelos administradores que deviam ter tomado providências para evitar que o problema se tornasse insolúvel. Os rios que cortam a cidade foram sendo espremidos pelas construções, sua água foi emporcalhada pelo esgoto e o solo está coberto por asfalto, calçadas e telhados. Infelizmente o Brasil é assim, porque nós brasileiros somos assim. Nunca questionamos os governantes que não cumprem seus planos de governo e não aprendemos a valorizar as ações que visam garantir o bem-estar no futuro. Aceitamos que os governantes abandonem as obras construídas pelos antecessores e nos contentamos quando nosso problema particular é resolvido. Solicitamos a derrubada de árvores porque elas sujam o pátio com folhas e varremos o lixo para dentro das galerias de águas pluviais, mas reclamamos quando a água transborda.
Recentes publicações dando conta da situação vergonhosa das bases náuticas construídas nos municípios lindeiros ao Lago de Itaipu são a prova concreta de um crime contra o patrimônio público. Aceitamos como normal o desvio de recursos públicos por políticos que foram eleitos para dele zelar com seriedade e competência. E digo que aceitamos porque as estatísticas mostram que na última eleição nacional dezenas de políticos “ficha suja” foram reeleitos, comprovando a efetiva falta de cobrança por parte de seus eleitores.
Aceitamos a perseguição política como normal, justificando que ela faz parte do “jogo político”. Nada disso é normal. Se não queremos ser no futuro “reféns” da nossa própria omissão, é necessário agir imediatamente e de forma organizada. Plano de governo devia ser livro de consulta permanente de todos os eleitores e cobrar do eleito todos os dias o cumprimento do prometido. Se derrubamos as árvores não devemos reclamar quando formos juntar os telhados no meio da rua por causa do vendaval ou então quando estivermos derretendo de calor pela falta da sombra. Se um prédio não for conservado porque construído numa administração anterior, não devemos reclamar quando ele cair na nossa cabeça. Se a estrada for abandonada porque o padrinho era outro, não podemos reclamar quando cairmos no buraco. É assim que caminha a humanidade. O descaso e a omissão de hoje serão pagos com a desgraça no futuro. É aquela velha frase: a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.
Estamos assistindo às costuras para as eleições deste ano. É o momento de participar, questionar, sugerir, consultar o passado de cada um, as promessas feitas e não cumpridas, para depois votar em quem se enquadra no perfil. Há grupos que se consideram “donos” de municípios, Estados ou do país. Nada disso. As capitanias hereditárias não existem mais. O dono de tudo e o responsável por tudo é sua excelência o eleitor, porque sem ele ninguém chega lá.

* O autor é professor em Nova Santa Rosa
miglioranza@opcaonet.com.br

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