O Presente

Quarta-feira,  8 de Setembro de 2010

ARTIGOS

Dom Francisco Bach

[carregando]

O autor é bispo da Diocese de Toledo

O BEM ESTAR OS OUTROS

13.03.10
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É tempo de Quaresma, é tempo de Campanha de Fraternidade. Somos convidados a olhar mais para os outros do que para nós mesmos. Aproveito-me hoje de um artigo de Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, publicado no site da CNBB, no início de fevereiro. Meu caro leitor, tenho a certeza que vai gostar e que lhe será de grande proveito, como foi para mim. O texto segue, na íntegra.
“Alegrar-se com o bem-estar e o sucesso dos outros eis que traz paz interior e felicidade profunda. Querer o bem-estar dos outros faz bem para nós próprios. É a suprema emoção, é a satisfação mais plena, cuja lei máxima é ‘não prejudicar’. Precisamos de treino, esforço, disciplina e conduta ética para o desapego de nós mesmos e colocar em primeiro lugar os interesses e o bem-estar dos outros. É assim que nos tornamos altruístas. Para que  experimentamos a felicidade pelo bem-estar alheio precisamos de: paciência, compaixão, humildade, tolerância, perdão. Estas virtudes facilitam a empatia que nos leva a ocupar-nos com outros. Que adianta sermos religiosos e não ocuparmo-nos com o bem-estar dos outros?
A lei é esta; ‘quanto mais consideração pelos outros, tanto mais felicidade genuína teremos’. O altruísmo é componente essencial da felicidade. A sensibilidade, a compaixão, a ternura e a compreensão, fortalecem em nós o sentimento de confiança, isso tudo traz as maiores alegrias e satisfações. Cada vez que acordamos para começar um novo dia, precisamos reavivar a decisão de querer o bem dos outros. O que pensamos, dizemos, fazemos, desejamos, omitimos é que condiciona a paz interior ou gera emoções aflitivas. Quem desvia o foco de atenção de si mesmo para os outros, conquista a liberdade e a paz. A preocupação excessiva consigo mesmo, aumenta o sofrimento.
Para viver bem o tempo e sentir o significado na vida, é preciso tratar os outros como irmãos, não prejudicar a vida, fazer tudo pelo seu bem. As religiões que ajudam a amar o próximo, a ter atitudes altruístas, a ter compaixão e respeito, são remédio para as dores da vida e chave para um mundo melhor. A nossa realização pessoal é fruto da saída de nós mesmos, da transcendência até ao outro, do altruísmo, do voluntariado e da gratuidade. A atenção exagerada sobre nós mesmos alimenta a hipertensão e a depressão. O amor altruísta é remédio que faz nossa vida saudável, salva e santa. Quem faz da sua existência, uma pró-existência, faz de sua vida um monumento. Todo o bem que fazemos aos outros, não morre. Portanto, é o bem e o amor que conferem sentido à vida e nos enchem de esperança, nos projetam na eternidade.
Querer o bem estar dos outros é ajudar os que perderam o rumo, servir os necessitados, consolar os aflitos, dar abrigo aos peregrinos, proteger os desamparados, socorrer os que estão em perigo. Esta é a lógica da gratuidade que traz a felicidade e o sentido da vida. Nascemos para ajudar os outros a viverem bem. Mais que vizinhos ou amigos, somos irmãos. A maior pobreza da vida é a reclusão sobre nós mesmos, o fechamento, o isolamento, o egocentrismo.
No mundo somos uma grande família, cujo segredo está na interação, na relação, na integração e reciprocidade entre as pessoas e os povos. Somos uma só carne. O capital mais precioso e autêntico é o ser humano. É preciso então criar riqueza para todos porque as desigualdades sociais indicam que somos egoístas, dominadores, exploradores. Os povos da fome se dirigem de modo dramático aos povos da opulência, para que se implante a prática do bem comum, que leva ao cuidado do outro e pelo outro. A lógica da dádiva e o princípio da gratuidade superam o espírito mercantil agressivo e destruidor dos fracos. Toda a questão social e econômica é antes de tudo uma questão antropológica cujo princípio é a dignidade e a centralidade da pessoa. Temos tanta tecnologia e pouca sabedoria, tanto hiperdesenvolvimento material e tanto subdesenvolvimento ético, espiritual e humanitário.
Quem pensa no bem-estar dos outros, não destrói o meio ambiente, não se vale da corrupção, não explora nem exclui. A miséria maior é aquela espiritual que desconhece e rejeita a verdade e o amor. Não haverá bem comum, nem o bem-estar dos outros, sem o desenvolvimento ético e espiritual. O amor nos dá coragem para procurar o bem de todos e por todos sofrer e lutar”.

* O autor é bispo da Diocese de Toledo
curia@diocesetoledo.org

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