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Quinta-feira,  9 de Setembro de 2010

ARTIGOS

João Paulo Lemos

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O autor é endocrinologista (CRM-PR 26743) e atende em Marechal Cândido Rondon

A verdade sobre os adoçantes

27.05.10
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O primeiro adoçante de que se tem relato na história é o mel, que foi utilizado na Grécia antiga. Muitos anos depois a sacarose, que é o açúcar comum, de mesa, foi incorporado amplamente aos hábitos alimentares e, desde então, foi um dos alimentos que mais impacto teve na cultura de todos os povos modernos. Tudo corria muito bem e não precisaríamos de um substituto para o açúcar, visto que dificilmente uma substância teria aceitação maior. Entretanto, com o surgimento da epidemia chamada obesidade, a necessidade de adoçantes que não promovessem ganho de peso tornou-se urgente.
O primeiro adoçante sintético, a sacarina, foi descoberta em 1879. Em 1937 surgiu o ciclamato e no ano de 1965 o aspartame. Muitos foram descobertos de forma acidental, quando os cientistas, por acaso, sentiram o gosto da substância e perceberam que era adocicada. Hoje em dia, além dos já mencionados, existem também o acessulfame K, estévia e sucralose, para citar os mais comuns. Trata-se de substâncias edulcorantes sintéticas ou encontradas na natureza, como é o caso da estévia, que apresentam a propriedade de ter doçura muito superior à do açúcar comum, e que, portanto, podem ser utilizadas em quantidade que não apresenta valor calórico significativo. Como são as calorias contidas nos alimentos as responsáveis pelo ganho de peso, os adoçantes foram incorporados aos hábitos alimentares mais recentes com a finalidade de auxiliar no processo de emagrecimento.
Mas nos últimos anos, algumas pesquisas levantaram a suspeita de que talvez essas substâncias pudessem estar relacionadas ao surgimento de determinados tipos de câncer, ou até mesmo ao ganho de peso, o que gerou uma enorme confusão e conflito de opiniões, até mesmo entre especialistas no assunto. Quando determinado tema gera muita polêmica, é preciso nos ater aos dados objetivos para uma análise mais acertada. Vamos aos fatos então: O FDA, agência norte-americana que regula a dispensação de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, aprova cinco adoçantes não nutritivos para uso neste país: acessulfame K, aspartame, neotame, sacarina e sucralose. Todos foram submetidos a estudos rigorosos e mostraram-se seguros para o público em geral, inclusive gestantes, contanto que a dose máxima recomendada não fosse ultrapassada. No Brasil, a Anvisa, responsável pela liberação de alimentos para comercialização, também aprova os edulcorantes citados para uso entre a população.
Até hoje, todos os grandes estudos que foram realizados com os adoçantes aprovados não demonstraram evidência concreta de que, na dose correta, pudessem causar qualquer dano à saúde. Deve-se ressaltar que a dose tóxica da maior parte dos adoçantes que são comercializados é muito expressiva, correspondendo em alguns casos a mais de um frasco inteiro da substância por dia.
Finalmente, a obesidade e o diabetes são doenças reais, cujos males já foram classicamente comprovados há um bom tempo pela ciência, e sabe-se que o uso de adoçantes não calóricos é uma das ferramentas que auxilia no controle e combate dessas moléstias. Há que se ressaltar, entretanto, que portadores de determinadas patologias, como é o caso dos fenilcetonúricos, não podem usar qualquer tipo de edulcorante. A escolha do melhor adoçante para cada caso específico muitas vezes necessita ser orientada por um profissional especializado.
Pode-se concluir, portanto, que o uso cauteloso dos adoçantes, desde que bem orientado por especialistas, continua sendo indicado nas situações em que deseja-se evitar o excesso de carboidratos na alimentação, particularmente nos casos de excesso de peso e diabetes. À luz dos conhecimentos atuais, combinar uma dieta balanceada, rica em frutas, verduras e vegetais, utilizando-se algumas gotinhas de adoçante em substituição ao açúcar, é a melhor forma de cuidar bem da alimentação.

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12.12.08 - joao paulo costa: Parabéns pelo bom trabalho que está sendo realizado, nos mantendo bem informados com às notícias de nossa Regiao.

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