O Presente

Quarta-feira,  8 de Setembro de 2010

ARTIGOS

Dom Francisco Bach

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O autor é bispo da Diocese de Toledo

ANO SACERDOTAL

05.06.10
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No dia 11 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, conclui-se o Ano Sacerdotal, com o tema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. Nasceu do coração de Bento XVI, aproveitando-se da celebração dos 150 anos da morte de São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, com o objetivo de intensificar e promover a santificação dos sacerdotes, sua missão na Igreja e na sociedade.
Foi uma excelente iniciativa para fortalecer a identidade, missão e unidade sacerdotal dos nossos presbíteros. Contudo, um ano de cruzes, e até de sentimentos de vergonha e exigência de justiça em vista dos inúmeros escândalos de pedofilia que vieram à tona em todo mundo. Nenhuma situação de pedofilia pode ser tolerada, muito menos de um sacerdote que se propõe a ser o sinal do amor de Deus. Pessoalmente creio que a Igreja dará passos importantes no processo de melhor acompanhamento dos presbíteros e na formação dos futuros sacerdotes.
As terríveis situações surgidas não diminuem o valor e a importância dos nossos sacerdotes. A regra geral comportamental é de um grande amor a Deus e dedicação exclusiva à Igreja de Jesus. Com santo orgulho posso referir-me aos padres que se imolam diariamente no seu ministério a serviço do povo de Deus. Deus seja louvado pela fidelidade e doação de vida dos nossos padres, seguidores do exemplo do próprio Jesus Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir (cf. Mt 20, 28).
Aliás, é impossível imaginar a vida sacerdotal se esta não refletir a vida do próprio Jesus Cristo, o único e eterno sacerdote. O Filho eterno de Deus foi enviado “para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3, 17). Em Jesus constatamos a obediência filial ao Pai e o seu amor pela humanidade, passando pela paixão e morte na cruz. Jesus continua exercendo o seu sacerdócio através dos sacerdotes, chamados a tornarem-se seus amigos íntimos. O mundo tem necessidade de Deus que, em Jesus Cristo, se fez carne e sangue, que amou a ponto de dar a vida, que ressuscitou e proporcionou ao ser humano o correto entendimento de sua vida e destino eterno. Somente à luz do agir de Cristo, a vida sacerdotal encontra a sua razão de ser.  
Ser sacerdote é anunciar a Palavra de Deus na qualidade de “ministro” dela, participando da autoridade profética de Cristo e da Igreja. Daqui deriva a eficácia da sua pregação. Tal ministério exige a familiariedade com a mesma Palavra. Outras pessoas até podem ser mais eloquentes, mas não representam Cristo, Cabeça e Pastor. Ser sacerdote é celebrar e viver da Eucaristia, sacramento que ocupa o lugar central de sua vida e ministério. Nenhuma atividade pastoral é tão vital para a Igreja. Ser sacerdote é orientar a comunidade eclesial, contando com a ajuda dos fiéis. É sua tarefa própria, derivada do seu peculiar relacionamento com Cristo, Cabeça e Pastor.
E os sacerdotes do futuro? Recordo-me das palavras do papa João Paulo II, na Assembleia Plenária da Congregação do Clero, ditas em novembro de 2001, mas tão atuais: “Onde falta o sacerdote é necessário, com fé e insistência, suplicar a Deus para que suscite numerosos e santos trabalhadores para a sua messe. O esplendor da identidade sacerdotal, o exercício integral do consequente ministério pastoral, juntamente com o compromisso de toda a comunidade na oração e na penitência pessoal, constituem os elementos imprescindíveis para uma urgente e improrrogável vocação pastoral. Seria um erro fatal resignar-se às atuais dificuldades e comportar-se efetivamente como se tivéssemos de nos preparar para uma Igreja do futuro, imaginada quase desprovida de presbíteros”. A presença do ministro ordenado é condição essencial da vida da Igreja e não só de uma sua boa organização. Em virtude do caráter sacramental, sua presença e o seu ministério são únicos, necessários e insubstituíveis.

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