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Sábado,  4 de Setembro de 2010

ARTIGOS

João Paulo Lemos

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O autor é endocrinologista (CRM-PR 26743) e atende em Marechal Cândido Rondon

REPOSIÇÃO HORMONAL NA MENOPAUSA

10.06.10
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“Doutor, tenho ondas de calor insuportáveis! Enquanto todos sentem frio eu estou suando, e minha qualidade de vida piorou muito depois que comecei a sentir isso”. Essa é uma queixa que grande parte das mulheres que estão entre os 45 e 55 anos de idade relatam ao seu médico em algum momento. Tais sintomas, associados a cansaço, diminuição do desejo sexual, ganho de peso e redução ou ausência dos ciclos menstruais configuram o que se chama de climatério, que é o período que circunda a menopausa, classicamente definida como a última menstruação da mulher. É uma fase particularmente delicada, pois se associa muitas vezes à fragilidade emocional, podendo levar a um quadro depressivo, se não houver intervenção apropriada.
Fisiologicamente, o que ocorre é a falência dos ovários em realizar suas funções, que são a de fertilidade e secreção do hormônio feminino chamado estradiol. É a queda abrupta desse hormônio a responsável pelas manifestações tão incômodas do climatério. Em termos biológicos, essa fase marca o fim do ciclo reprodutivo da mulher. O mais correto seria repor o hormônio em falta para todas as mulheres, então? Não. Na verdade, hoje em dia a ideia que os especialistas têm a respeito desse tema é um pouco diferente da que se tinha há alguns anos.
Nos anos 90, havia um consenso geral de que a reposição hormonal deveria ser oferecida a todas as mulheres, visto que pensava-se que os benefícios eram incontáveis. Porém, nos últimos dez anos, grandes estudos evidenciaram que esse tipo de tratamento pode aumentar o risco de doenças cardíacas, trombose de membros inferiores, acidente vascular cerebral (derrame), além de câncer de mama e endométrio em mulheres suscetíveis. Isso fez com que a concepção antiga fosse abandonada em favor de uma abordagem mais individual no que se refere à reposição de hormônio. Atualmente, mulheres com passado ou risco de doença cardíaca, ou câncer de mama, são contraindicadas a fazer uso da medicação, e em uma série de outras situações há um risco aumentado, portanto o uso, quando indicado, deve ser muito cauteloso. Porém, há de se ressaltar que para muitas mulheres a reposição hormonal representa uma melhora na qualidade de vida que não seria alcançada de outras formas. Essa é, inclusive, a única indicação para o tratamento nos dias de hoje: o alívio dos sintomas do climatério, como fogachos e redução da libido. Em muitos casos atingem-se benefícios secundários, como melhora de osteoporose e do colesterol, mas nunca a reposição deve ser realizada somente para esses fins.
As formas de realizar o tratamento também passaram por mudanças. Antigamente era feita somente através da administração de comprimidos ou injeções, e atualmente os adesivos transdérmicos e géis são muito utilizados. Nesse aspecto, cada mulher necessita de uma conduta diferenciada; aquelas que tiveram o útero retirado, por exemplo, devem fazer uso de medicações com composição diferente das habitualmente utilizadas. De uma forma geral, o tempo previsto para uso do hormônio é de no máximo dez anos, pois acima desse tempo o risco começa a ser maior do que o benefício esperado. O acompanhamento médico e, especificamente, ginecológico, deve ser periódico, já que uma série de avaliações deve ser feita durante o uso de tais medicações.
Concluindo, a terapia de reposição hormonal hoje em dia é preconizada para as mulheres com sintomas desagradáveis relativos ao climatério, respeitadas as contraindicações e sempre com acompanhamento médico. Deve-se ressaltar a importância de medidas para prevenção da osteoporose nesta fase, como a reposição de cálcio e atividade física regular.

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