Elio Migliorança
No coração do império vermelho

Depois de percorrer milhares de quilômetros, estávamos deslizando a mais de 200 quilômetros por hora, numa das maravilhas da engenharia do transporte sobre trilhos no trem que nos levava para o coração do império vermelho, a cidade de Moscou, Capital da Rússia. A expressão império vermelho deriva do Exército vermelho dos operários e camponeses, criado por Leon Trótski em 1918 para defender o país durante a guerra civil russa. O nome faz referência à cor vermelha, símbolo do socialismo e ao sangue derramado pela classe operária em sua luta contra o capitalismo.

Apesar do exército vermelho ter sido transformado oficialmente no exército soviético em 1946, o termo exército vermelho é de uso comum no Ocidente para se referir às Forças Armadas da União Soviética ao longo de sua história. Cresceu muito na década de 1940, tornando-se um dos maiores e mais poderosos exércitos da história militar. Foi a força decisiva na vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial.

Durante o período da Guerra Fria, na segunda metade do século XX, era assim que o Ocidente se referia ao poder soviético, que nos bastidores duelava com os Estados Unidos, cada um buscando o domínio sobre o maior número de países no mundo.

Estávamos prestes a pisar no 2º lugar mais vigiado do mundo, o Kremlin, sede do governo da Rússia, localizado no coração de Moscou. A Rússia está numa fase de transição entre o comunismo e o capitalismo, com muito controle do governo sobre as atividades econômicas, políticas e sociais, mas anda a passos largos nos investimentos em infraestrutura e no sistema produtivo. As marcas do comunismo estão por toda a parte, nas construções, no planejamento urbano, no controle estatal sobre as atividades econômicas e principalmente no sistema político. Por incrível que pareça eles estão léguas a nossa frente no item “burocracia”. O Brasil é um caso raro em que a burocracia é um câncer que atrasa nosso desenvolvimento.

Embora o sistema capitalista seja uma experiência recente, caminha a passos largos, afinal, estão bem conscientes de que a livre iniciativa e a globalização da economia estão consolidadas no planeta e eles embarcaram neste processo dispostos a ganhar terreno.

Devido à sua extensão territorial, o maior país do mundo investe pesado em produção para conseguir a autossuficiência especialmente no setor de proteína animal. Ruim para nós, afinal, são grandes compradores de produtos brasileiros.

Pisar sobre as pedras na praça vermelha teve uma simbologia muito forte e ao mesmo tempo um sentimento de tristeza por saber que dali partiram as ordens que mataram milhões no processo de implantação do regime comunista. As visitas aos museus nos proporcionaram admirar as obras de arte e as riquezas acumuladas pela realeza nos tempos dos Czares e que agora atraem turistas do mundo inteiro gerando com isso muitos empregos e renda para a economia local. Nos teatros tivemos contato com o que existe de melhor no mundo das artes, da dança e do folclore.

Andando por Moscou pudemos testemunhar o entusiasmo com que a cidade prepara-se para a Copa do Mundo de 2018; virou um canteiro de obras. A Copa do Mundo é uma oportunidade única para mostrar ao planeta toda a riqueza cultural, as belezas naturais e que o capitalismo em fase de implantação prepara o país para uma integração com todas as nações do mundo.