PELA PAZ TUCANA
Atualizado em: 09/02/2012 - 00:00
Alegando uma dupla e prejudicial jornada de trabalho, o governador Beto Richa passou o comando do diretório estadual do PSDB ao deputado Valdir Rossoni, vice-presidente e presidente antes de Richa. Rossoni nada alegou, mas, como chefe do Poder Legislativo, também acumula duas funções, ambas de importância e que lhe tomarão muito tempo. Políticos, entretanto, sobretudo os da velha geração, adoram esse tipo de dupla jornada. Talvez no passado tenhamos um exemplo extraordinário de dedicação política, como o do Almirante Amaral Peixoto, que conseguiu por anos presidir o velho PSD e ser ministro da Viação de Juscelino Kubitscheck. Diziam, ainda, que exercia uma outra, a de genro de Getúlio Vargas, claro, antes do suicídio deste. Não tinha procedência tal ironia: Amaral Peixoto detinha poder e presidia o PSD - Partido Social Democrático - com o apoio de seus correligionários em vários Estados.
Coincidentemente, é público e notório que o deputado Valdir Rossoni luta para ser o candidato do PSDB ao Senado. Como a eleição ao Senado em 2014 só tem uma vaga, esta só pode ser em substituição ao senador Alvaro Dias. E é sabida a divergência reinante entre os dois. Por sua vez, Alvaro vem de afastar a possibilidade de se candidatar para qualquer cargo em Estado que não seja o Paraná. Alvaro, é bom lembrar, é um dos raros políticos brasileiros que iniciou a vida como vereador e ocupou a seguir todas as outras funções com exceção de vice-governador, porque não precisou, preferiu o cargo maior.
Enquanto isso, reinando a discórdia na província, há notícias de que o diretório nacional ou líderes lá de cima estão preocupados com a divergência de Beto e Alvaro. Goste-se ou não, Alvaro Dias vem sendo escanteado nos domínios tucanos do Paraná, num flagrante contraste com sua posição em nível nacional, onde se firma, por mérito e antiguidade (desde o começo do Governo Lula), como o porta-voz da oposição. Diariamente na tribuna do Senado, Alvaro faz o seu papel e de outros tantos que procuraram, com tranquilidade, verificar como ficará a situação com vistas a 2014. Mas é difícil engolir, para as lideranças nacionais do partido, a entrega da candidatura legítima dos tucanos a um homem do PSB - Partido Socialista Brasileiro, atual prefeito Luciano Ducci.
Querem encerrar a carreira política de Alvaro Dias. Há dúvidas sobre isso? Seria, então, um problema interno do PSDB? Nem tanto, pois na medida em que um político se torna figura nacional, seus eleitores ou não muito podem opinar ou discutir. Nada mais agradaria às hostes tucanas, sobremodo em nível nacional, do que um entendimento entre o governador e o senador. E isso agradaria igualmente o setor estadual, salvo, é claro, entre os radicais de cada lado, que os há, por convicção ou por conveniência.
Por isso, esta transmissão de cargo interno, esta preocupação pelo entendimento, promete juntar-se no momento oportuno e com natural fato de que político quando quer continuar politicando sabe ceder ao menos um pouco, chama-se a atenção para os próximos passos. E falas. Ambos poderão indicar o caminho a seguir.