A nossa Biblioteca Cidadã

Atualizado em: 18/08/2011 - 10:39

comentários

Inaugurada há pouco menos de um mês, a Biblioteca Cidadã foi um presente e tanto para o aniversário de Marechal Cândido Rondon. Pequena, mas aconchegante, foi construída ao lado do posto de saúde do bairro São Lucas. A biblioteca foi criada através de parceria entre governo do Estado e prefeitura. Conta com um acervo bem modesto, de cerca de dois mil livros. Mas, em literatura, o que importa é a qualidade e a não a quantidade, não é mesmo? 

Livros de literatura que vão de autores clássicos até escritores da nova geração, sejam brasileiros ou estrangeiros; títulos sobre história, política, cinema, música, moda, best-sellers. Está tudo lá, novinho, esperando a visita dos rondonenses. Minha visita ao lugar rendeu: encontrei o livro “Tropicália: uma revolução na cultura brasileira”. Um título que estava ensaiando comprar e que custa a “bagatela” de R$ 140,00. Na biblioteca o empréstimo saiu de graça. 

Pergunto para a bibliotecária se o espaço tem sido bem frequentado e ela diz que sim. Minha carteirinha é de número 43: contando desde o dia em que a Biblioteca Cidadã foi inaugurada, dá uma média de dois novos leitores cadastrados por dia. Não chega a ser ruim, mas pode melhorar. 

E falando em leitura, a Câmara Brasileira do Livro divulgou dias atrás que o brasileiro está comprando mais livros, motivados, principalmente, pela queda dos preços. Nada muito significativo: uma redução de cerca de 4,5%. Pouco, mas já é alguma coisa. Resultado: no ano passado, comparado com 2009, a venda de livros no Brasil cresceu 13,12%. 

Dados da pesquisa indicam ainda que um meio de comercialização que tem crescido bastante é a venda de porta em porta, por catálogo. Por exemplo, a Dona Maria que há tempo vende Avon, enquanto oferece cremes e desodorantes pra sua vizinha Lucinha, agora também aproveita pra incentivá-la a comprar em um mês um livrinho do Dan Brown, no outro mês um livrinho do Paulo Coelho e assim vai. 

Só que não adiante discutir. Livro no Brasil é caro e são poucos que têm grana ou disposição de comprar. Daí a importância das bibliotecas públicas, como a recém inaugurada em Marechal Cândido Rondon. Mas de nada adianta construir bibliotecas se as pessoas não tiverem o prazer da leitura. Daí a importância dos pais e professores estimularem a paixão pelos livros. Mas nada de enfiar livros goela abaixo da molecada, ainda mais se forem xaropices do José de Alencar. Obrigar adolescente a ler “Iracema” e “Senhora” é matar a vontade de qualquer um de ler para o resto da vida! 

Acredito que é negócio é apresentar livros bacanas de autores que entrem em sintonia com as ideias da molecada de hoje em dia. Funcionou comigo, talvez funcione com os outros também. Despertados para o prazer da leitura, terão o resto da vida para entender e apreciar um Machado de Assis da vida. Também tem que cativar pelo exemplo e sem aquele papo chato de que ler é importante pra aprender mais sobre o mundo, pra escrever melhor e bla blá blá. 

O amor pela leitura surge quando ela é descompromissada, sem outro objetivo maior do que o puro prazer proporcionado pela companhia de um livro. A literatura basta por si só.

Compartilhar esta notícia

Publicidade

Comentários

Você precisa estar logado para comentar, clique aqui para entrar.
Se você for um novo usuário, clique aqui para se cadastrar.