O ESPÍRITO SANTO NA VIDA DA IGREJA

Atualizado em: 26/05/2012 - 00:00

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A Solenidade de Pentecostes, hoje celebrada em toda a Igreja, leva-nos a procurar compreender melhor o Espírito Santo e a sua relação com a Igreja. Em síntese, podemos perfeitamente afirmar que ele é a alma da Igreja. Santo Agostinho afirma que o Espírito Santo está para a Igreja como a alma está para o corpo. Estamos cientes, fruto da nossa experiência humana, que sem a alma o corpo humano não subsiste. O Espírito Santo realiza em toda a Igreja o que a alma opera em todos os membros do corpo humano.
O ilustre doutor da Igreja reflete que um membro amputado do corpo perde a vida e conclui: “Igualmente uma pessoa é cristã católica enquanto vive no corpo (comunidade eclesial)... Portanto, se quereis viver no Espírito Santo, conservai a caridade, amai a verdade, desejai a unidade e alcançareis a eternidade” (Sermo 267, 4; PL 38,1231). A afirmação de que o Espírito Santo é a alma da Igreja nos ajuda a entender algo importante. O Espírito Santo não realiza a unidade da Igreja de fora, somente como causa eficiente, mas ele “é” e “faz” a unidade. Ele próprio é o vínculo de unidade, como alma de um corpo.
O papa João Paulo II afirmava que somente por meio do Espírito Santo podem ser superados os obstáculos humanos que tornam difíceis o caminho da unidade. A unidade é um dom precioso, o que lembra as palavras de Paulo: “A comunhão do Espírito Santo esteja com todos vós” (2Cor 13,13). Todos os esforços humanos deixam de ser infrutíferos graças à ação do Espírito Santo.
Certamente o Espírito Santo já operava no mundo antes da ressurreição de Cristo e de Pentecostes, contudo, depois destes eventos, iniciou-se a pregação da boa nova do Evangelho a todos os povos. Deste modo começa “o tempo da Igreja”, no qual se realizam todas as promessas que dizem respeito ao Espírito Santo enquanto ele assume, de modo invisível, mas perceptível, a condução da Igreja de Jesus Cristo. É da efusão do Espírito Santo no dia de Pentecostes que emana toda força e coragem para a continuidade da missão apostólica dos bispos, dos ministros ordenados e de todo os cristãos que receberam os sacramentos do Batismo e da Confirmação.
O evangelista João nos dá a dimensão da ação do Espírito Santo, que nos foi dado pelo Senhor Jesus: “Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu para vos anunciar. Tudo que o Pai tem é meu. Por isso, eu vos disse que ele receberá do que é meu para vos anunciar” (Jo 16,13-15). Em outras palavras, o texto joanino promete que a Igreja, no discernimento do caminho histórico de sua existência, ao edificar o Corpo de Cristo na diversidade e complexidade das situações humanas, é guiada, é conduzida progressivamente pelo próprio Espírito Santo.
É no Espírito Santo que se aperfeiçoa a união da Igreja com Cristo e da Igreja com todos os seus membros. É ele quem vivifica toda a Igreja e cada um de seus membros. Em outras palavras, a Igreja vive do Espírito Santo. Tal certeza gera em nós uma enorme confiança e paz interiores, pois embora celebremos anualmente a festa litúrgica, Pentecostes acontece todos os dias, pois o Espírito Santo é a alma da Igreja, ele derrama graça sobre graça abundantemente.
A conclusão óbvia do que refletimos até aqui é que a ação do Espírito Santo rejuvenesce constantemente a Igreja, ela jamais ficará uma instituição obsoleta. Cabe a cada um de nós, cristãos, olhar para a Igreja não como se fosse apenas uma sociedade composta de seres humanos - se assim fosse já inexistiria - mas como realmente é, povo reunido por Deus, guiado para a salvação, pela presença e ação do Espírito Santo.

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