O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO

Atualizado em: 21/07/2012 - 00:00

comentários

Ordinariamente, na Sagrada Escritura, deparamo-nos com textos e histórias que relatam a bondade e o amor misericordioso de Deus. Contudo, há um texto, narrado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas que afirmam que todo pecado será perdoado, menos o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12,31; Mc 3,28; Lc 12,10).
Santo Tomás de Aquino afirma que se trata da um pecado imperdoável por sua própria natureza, pois exclui os elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados. Explicando melhor, o pecado contra o Espírito Santo não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; mas é a recusa em aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo que age em virtude do sacrifício da Cruz, é não aceitar o poder redentor da morte de Cristo.
O pecado contra o Espírito Santo consiste exatamente na recusa radical de aceitar este perdão, do qual o Espírito Santo é o dispensador íntimo, e que pressupõe a conversão verdadeira, por ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque a impossibilidade de absolvição está ligada à recusa radical de converter-se.
O pecado contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso direito de perseverar no mal, em qualquer pecado, e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, torna impossível da sua parte a própria conversão e consequentemente a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque tal pecado não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e o impede de abrir-se às fontes divinas da purificação da consciência e da remissão dos pecados.
Deus sempre vai ao encontro do pecador, mas no caso que estamos analisando, encontra no homem uma resistência interior, uma espécie de impermeabilidade da consciência, um estado de alma endurecido em razão de uma escolha livre. É o que a Sagrada Escritura repetidamente designa como “dureza de coração”. Na nossa época, esta atitude da mente e do coração corresponde à perda do sentido do pecado, à qual dedica muitas páginas a Exortação Apostólica “Reconciliação e Penitência”, escrita por João Paulo II, em dezembro de 1984.
Já o papa Pio XI, em sua radiomensagem ao Congresso Catequético Nacional dos Estados Unidos da América, em Boston, 1946, tinha afirmado que “o pecado do século é a perda do sentido do pecado”. Mais, esta perda vai acompanhada da “perda do sentido de Deus”. Na Exortação acima citada, lê-se que Deus é a causa eficiente e o fim supremo a que tende o ser humano, pois este carrega em si um gérmen divino. Ao perder-se o sentido de Deus e do pecado, o homem perde a sua própria identidade e o fim supremo de sua vida. É a realidade divina que desvenda e ilumina o mistério do homem.
É por isso que a Igreja não cessa de implorar de Deus a graça de que não venha a faltar nunca a retidão nas consciências humanas, que não se endureça a sua sensibilidade sã diante do bem e do mal. Esta retidão e esta sensibilidade estão profundamente ligadas à ação íntima do Espírito da verdade. Sob esta luz, adquirem particular eloquência as exortações do Apóstolo Paulo: “Não extingais o Espírito!”... “Não contristeis o Espírito Santo!” (1Ts 5,19; Ef 4,30).
A Igreja não cessa de implorar, com todo o fervor, que não aumente no mundo o pecado designado no Evangelho como “pecado contra o Espírito Santo”. A Igreja implora que o perigoso pecado contra o Espírito Santo ceda o lugar a uma santa disponibilidade para aceitar o amor misericordioso de Deus em nossas vidas.

Compartilhar esta notícia

Publicidade