SEM ÁGUA NÃO HÁ VIDA, CUIDE DELA!
Atualizado em: 16/06/2012 - 00:00
Amanhã, 17 de junho, é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. Tal data nos alerta para o fato de que a água é elemento essencial para a vida. Ela é um bem social, econômico e ambiental. A dignidade do ser humano e o cuidado com a natureza exigem que tenhamos grande apreço por ela. Sabe-se, hoje, que a sobrevivência da humanidade e de todas as espécies que vivem sobre a face da terra depende em enorme medida do cuidado que dermos à água. O respeito ao Criador e às suas criaturas exige de nós, tornados seus filhos e filhas em Jesus Cristo, atitudes coerentes.
A água é um recurso natural, vital para a sobrevivência da humanidade e de todas as espécies que vivem sobre a face da terra. Como um dos bens da criação, a água está destinada a todos os seres humanos e às respectivas comunidades. Deus quis que a terra e tudo quanto ela contivesse fosse para o benefício de todos, de tal maneira que todas as coisas criadas pudessem ser compartilhadas retamente pela humanidade, sob a orientação da justiça temperada pela caridade.
Os seres humanos e as comunidades em que vivem não podem sobreviver sem a água, uma vez que este elemento corresponde às necessidades primárias e constitui uma condição fundamental da sua existência. Tudo depende do destino da água. O acesso à água potável e ao saneamento é indispensável para a vida e para o pleno desenvolvimento de todos os seres humanos e das comunidades espalhadas pelo mundo.
O bem comum é compreendido como uma condição social que permite às pessoas alcançar a sua plena potencialidade humana. A água é um bem comum universal, um bem comum que pertence a toda a família humana. Os seus benefícios estão destinados a todos, e não apenas aos habitantes dos países onde há água em abundância, e onde ela é devidamente controlada e bem distribuída. Este recurso natural deve estar equitativamente à disposição de toda a família humana.
A água é muito mais do que uma simples necessidade humana básica. É um elemento essencial e insubstituível para assegurar a continuação da vida. A água está intrinsecamente unida aos direitos fundamentais do homem, como o direito à vida, à alimentação e à saúde. O acesso à água potável é um direito humano fundamental. Em mensagem aos membros da Conferência Episcopal do Brasil, em 2004, o papa João Paulo II escreveu: “Como dádiva de Deus, a água é um elemento vital, essencial para a sobrevivência; por conseguinte, todos têm direito à água”.
Definir o acesso à água potável como um direito humano constitui um importante passo no processo de permitir condição vital para numerosas populações que vivem na indigência. A abordagem que se fundamenta nos direitos coloca o ser humano no âmago do desenvolvimento. O acesso à água potável é uma reivindicação legal, e não um serviço ou uma comodidade oferecida simplesmente por razão humanitária.
É urgente estabelecer uma “cultura da água”, ou seja, educar a sociedade para uma renovada atitude em relação à água. A nossa valorização da água tem deixado de se manifestar de muitas maneiras. Tradicionalmente, a água era respeitada, salvaguardada e mesmo celebrada. Hoje em dia, porém, ela corre o risco de se tornar um simples produto de consumo. Diante da dissipação, a água não pode ser tratada como um mero produto de consumo entre outros, uma vez que tem um valor inestimável e insubstituível. As tradições culturais e os valores sociais determinam o modo de as pessoas conceberem e administrarem a água. Recorrer exclusivamente a mecanismos de avaliação financeira, como resposta ao desperdício hídrico, não fomentará uma “cultura da água”, pois tal atitude não leva em consideração os pobres que também precisam da água para sobreviver.
É necessário recordar que todos os seres humanos estão vinculados por uma origem comum e pelo mesmo destino supremo. Por conseguinte, a água deve ser considerada um bem público de todos os cidadãos, sem ignorar que aos direitos estão atrelados os deveres e as responsabilidades de cada pessoa diante do líquido mais precioso da terra.
