Sustentabilidade em foco
Atualizado em: 12/06/2012 - 00:00
Depois de tanta expectativa, enfim, chegou a hora da Rio+20. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável começa amanhã (13) e vai até o dia 23, no Rio de Janeiro, com o desafio de renovar o compromisso político internacional com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação das ações implementadas e da discussão de desafios novos e emergentes.
Mas, será que toda esta expectativa tem razão de ser?
Apenas um em cada cinco brasileiros sabe que um evento mundial sobre discussões ambientais acontecerá neste mês no Brasil, conforme aponta pesquisa. Também sabe-se que dificilmente o evento resultará em tratados efetivos como os da sua “conferência mãe”, a Eco92, que deu à luz três convenções internacionais: da Mudança do Clima, da Diversidade Biológica e do Combate à Desertificação. Acordos que ganharam vida própria e que realizam suas próprias reuniões periódicas, chamadas de COPs (conferências das partes).
Na verdade, a Rio+20 deve figurar como uma avaliação do que aconteceu nas duas últimas décadas e servir como ponto de partida para um novo processo de discussões internacionais focadas no desenvolvimento sustentável. Espera-se que aponte rumos e defina objetivos gerais que, mais tarde, poderão ser condicionados a metas específicas.
Por mais que a conferência concentre menos a atenção do mundo, ofuscada pela sombra da crise econômica mundial, que desestimularia a discussão de políticas de redução de danos ambientais, além de contar com a presença de menos chefes de Estado, mesmo assim, não há o que se questionar: a Rio+20 é, sim, de tamanha importância porque vai colocar um assunto de extrema relevância - o desenvolvimento sustentável - no centro da mídia de todo o planeta.
Toda discussão, toda preocupação, todo projeto, iniciativa entre outras particularidades que venham a somar neste sentido são consideravelmente positivas.
É inegável que o planeta precisa avançar em muitos aspectos em termos de desenvolvimento sustentável, que está amparado em três pilares: social, econômico e ambiental. Mas, também, devemos reconhecer que evoluímos bastante. Desde a Eco92, é notável uma maior conscientização por parte da população; há mais espaço na mídia para o tema; houve um aumento do número de unidades de conservação estabelecidas por decretos ou leis, em níveis federal, estaduais e municipais; criação de setores ambientais nas grandes empresas e novos cursos sobre o assunto em universidades. Também evoluiu muito a reciclagem de lixo e as exigências ambientais para projetos de alto impacto ambiental. De uma forma geral, o importante é ver que a sociedade está preocupada e envolvida, buscando dar a sua contribuição em prol do meio ambiente.
Não podemos achar que isso é tudo porque não é. É preciso um engajamento ainda maior. É preciso abranger a maioria dos brasileiros, e os povos mundo afora.
Vamos ficar na torcida para que a Rio+20 traga resultados satisfatórios e concretos. Mesmo que não seja tão produtiva como a Rio92, esperamos que seja, de qualquer forma, de grande valia. Que se crie uma atmosfera positiva para um futuro que precisa de breves soluções.
