Tranquilidade do interior

Atualizado em: 05/05/2012 - 00:00

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Foi o tempo em que os moradores das pequenas cidades do interior do Paraná podiam dormir de janelas abertas, principalmente no Oeste do Estado. Hoje em dia, basta olhar as páginas policiais de qualquer veículo de comunicação para verificar que a violência urbana e também rural, proporcionalmente, não perde em nada para os grandes centros.
Diriam os mais afoitos que a diferença é grande. Sim, em algumas questões. Podemos não ter vítimas constantes de balas perdidas nos bairros, mas temos registrado, dia a dia, a morte cada vez mais precoce de jovens, envolvidos em crimes que outrora pareciam ser só de cidade grande, ou que provêm de um único problema: as drogas.
No último feriado, 1º de maio, um garoto de 16 anos morreu durante tentativa de assalto. De arma em punho, rosto coberto por máscara e ameaças na ponta da língua, em nada seu comportamento revelava a pouca idade. E o pior, o delito não foi fruto de planejamento, foi uma decisão tomada por oportunidade, como se roubo fosse algo comum. Comum para quem e onde?
O comparsa do garoto contou à polícia que ele e o menor, após saírem de uma festa, passaram em frente de uma casa e resolveram furtar uma moto, e depois, como não foi possível a tentativa, não tiveram qualquer temor em praticar roubo, ameaçando um grupo de jovens estudantes.
Nas nossas cidades do interior não há guerra de quadrilhas como nos morros cariocas, mas há assassinatos periódicos de viciados em drogas que não quitaram suas dívidas ou por pura demonstração de poder. Quem não lembra do “caso da salsicha”, em que um homem foi morto por adolescentes porque já haviam se “estranhado” em outro momento. E nem precisamos voltar muito no tempo - na semana passada, ao transitar pela praça, um rapaz foi alvo de tiros. O acusado argumentou que ele e a vítima tinham desavença “por causa de mulher”.
Fica claro que a violência em Marechal Cândido Rondon e região deixou de ser algo de segundo plano. Faz parte do dia a dia e os motivos geradores são os mais corriqueiros possíveis. E isso para não lembrarmos de municípios maiores do Oeste, como Foz do Iguaçu, Cascavel e até Toledo, cuja realidade vem ficando ainda mais caótica. Em todos eles, editoria policial de jornal dá manchete certa.
Assim, a tão valorizada qualidade de vida das pequenas cidades do Oeste do Paraná vem perdendo qualificações para o medo e a insegurança. Nossas crianças já não podem mais brincar nas ruas despreocupadamente e nem nossos idosos passeiam pelas praças sem olhar para os lados. A esperança que temos é que os investimentos em segurança prometidos venham trazer-nos novamente a paz bucólica do interior.

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