DESPEDIDA

Atualizado em: 22/12/2011 - 00:00

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Há pouco mais de dois anos cheguei em Marechal Cândido Rondon. Desde o início percebi que encontraria aqui uma grande oportunidade de estabelecer um pioneirismo na especialidade de endocrinologia, já que não havia outros profissionais desta área na cidade. Mas nem em minhas expectativas mais otimistas poderia prever o enorme sucesso que consegui dentro deste objetivo.

Durante todo esse trajeto, entendi que o desafio seria grande, pois nesta região existe uma enorme prevalência de doenças como o diabetes, a obesidade e aquelas relacionadas à tireoide. O sonho de qualquer médico é ver seu consultório cheio, mas a responsabilidade de conseguir atender a uma demanda crescente faz com que o profissional tenha que manter os pés no chão, para conseguir prestar um atendimento de qualidade. Posso dizer, com toda confiança, que durante este período recebi um retorno muito gratificante dos pacientes, e é o olhar de agradecimento, o abraço caloroso e o sorriso do enfermo que obtém o alívio do seu sofrimento que fazem valer a pena ser médico.

Deve ser do conhecimento de todos que a saúde no Brasil enfrenta sérias dificuldades, em todos os seus setores. Parte destas dificuldades se relaciona com a forma como o sistema de saúde está estruturado no país. Se quisermos melhorar este cenário e garantir às gerações futuras uma saúde de qualidade, não devemos ter medo de mudanças. Não devemos atribuir a culpa de todos os males aos nossos governantes, afinal, somos nós quem os elegemos. Devemos sim, como cidadãos, cobrar um sistema de saúde completo, com estratégias eficientes de prevenção de doenças, atendimento de qualidade aos pacientes e valorização dos profissionais. Procurei, durante este tempo que estive em Marechal Cândido Rondon, fazer a minha parte como profissional, mas sempre fica aquela sensação de que poderia ter feito mais. Infelizmente, acredito que neste caso o fator condicionante foi o tempo.

A vida nunca segue exatamente o curso que planejamos, mas devemos aprender a lidar com as mudanças e nos adaptar. Quando me estabeleci aqui tinha por meta permanecer até o fim da minha carreira, mas o curso do rio mudou e estou voltando à minha cidade de origem. Por um lado me sinto triste, pois não é fácil deixar para trás um projeto de vida, mas por outro me sinto feliz por ter a certeza de que contribuí, mesmo que de forma discreta, para a melhoria da qualidade de vida de muitos rondonenses. Como disse antes, não devemos ter medo de mudanças, mas sim encarar de cabeça erguida cada desafio que a vida impõe. Por isso, não vou me despedir de todos com tristeza, mas sim com a empolgação de uma criança que descobre, a cada tropeção que leva na vida, um mundo novo, cheio de possibilidades.

Gostaria de agradecer imensamente a todos os rondonenses por terem me recebido com tanto carinho e aceitação. O trabalho que desenvolvi aqui, graças a vocês, foi muito gratificante e importantíssimo para minha vida profissional. Espero ter feito jus ao crédito que me foi dado desde o início, por todos os pacientes e colegas de profissão. Desejo a todos um Natal com muita paz e um ano novo com muita saúde e realizações pessoais. Certo de que o mundo dá voltas, não irei dizer adeus, mas sim até breve; e termino este último artigo citando a bela letra da música de Milton Nascimento: “Qualquer dia amigo eu volto pra te encontrar...”.

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