Controle do pH garante maior eficiência de defensivos

Publicado em: 26/11/2009 - 23:21 | Atualizado em: 02/09/2012 - 22:30

Utilizando uma água limpa e com o pH considerado ideal pelo fabricante do defensivo, o agricultor ganha um maior rendimento do produto (Foto: O Presente)

Tomar os devidos cuidados e seguir algumas recomendações na hora de preparar a calda é algo que todos os agricultores deveriam fazer. No entanto, estima-se que muitos deixam de observar algumas questões que poderiam proporcionar um maior rendimento do produto. O pH da água, por exemplo, pode influenciar diretamente na eficácia de defensivos agrícolas. Se não estiver no nível ideal, o produtor precisa fazer uso dos produtos fitossanitários mais vezes, o que, consequentemente, acarreta em mais custos de produção.
De acordo com o professor doutor em Ciências das Plantas Daninhas da Unioeste, campus de Marechal Cândido Rondon, Neumárcio Vilanova da Costa, a importância de observar sempre a qualidade da água reflete principalmente com a interação que pode haver entre a característica do líquido com a molécula do produto, seja ele herbicida, fungicida ou inseticida. “Os íons podem interagir com a molécula e no momento da aplicação dificultar a absorção do produto pela planta. Esta é uma das principais características com relação à qualidade da água. Tem que ter atenção na escolha da fonte de água utilizada para aplicação do defensivo agrícola”, orienta.
O ideal, segundo o professor, é que o agricultor utilize sempre uma água limpa. “As pessoas comentam também sobre a água dura, que é rica em cálcio. Água que apresenta esta característica pode reduzir a eficiência biológica do defensivo, porque o cálcio tende a formar moléculas que precipitam o processo e, portanto, indisponibilizam o produto a ser absorvido pela planta. Isso é algo que a maioria dos produtores não fica atento na hora da escolha da fonte a ser utilizada”, observa o profissional.

Rendimento
Questionado então se o controle do pH da água pode melhorar o rendimento dos defensivos e evitar que o agricultor precise passar mais vezes o produto para obter o resultado esperado, o doutor responde que sim. “Não só aparência da água, mas também a característica química precisa ser observada. A redução do pH visa maximizar a absorção do produto pela planta, da seguinte maneira: deixando a molécula do produto de uma forma que a planta consiga absorver mais facilmente. As reações das moléculas dos defensivos com estes íons que estão disponíveis na água tendem a ser reduzidos, com isso a molécula fica mais disponível para ser absorvida pela planta”, explica.

Coloração
Conforme o docente, existem vários equipamentos disponíveis no mercado que podem auxiliar no cuidado para se manter a qualidade da água e podem informar se o pH ideal ou não para determinado tipo de produto. Mas um meio bem prático é verificar a coloração da água e se não tem partículas de suspensão. “Só o simples fato de utilizar água limpa vai poder garantir uma boa eficiência do produto. O pH ideal já é indicado pelo fabricante do produto. Cada produto tem uma característica diferente e, logo, um pH para que haja uma melhor eficiência”, afirma da Costa.

Acompanhamento
Neumárcio ressalta que o produtor deve procurar contar sempre com acompanhamento de técnico agrícola ou agrônomo para o manejo da aplicação de produtos fitossanitários e para que este lhe repasse orientações de cuidados para com o meio ambiente. “Se melhorar a absorção do produto a partir da qualidade da água, isso significa uma redução de doses de aplicação, diminuição de risco de contaminação ambiental e até mesmo melhora os custos, pois vai utilizar menos defensivos na agricultura”, conclui o professor.

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