Dívida é o principal desafio do próximo governo, diz Osmar

Publicado em: 04/01/2010 - 22:27 | Atualizado em: 28/08/2012 - 19:35

Para Osmar Dias, referindo-se às prioridades do próximo governo, as duas áreas mais preocupantes são saúde e segurança pública. Foto: Ivan Santos

Um dos principais desafios do próximo governador do Paraná será recuperar a capacidade de investimento do Estado, hoje limitada a menos de 3% do Orçamento anual. Caso contrário, qualquer promessa de aumento expressivo de recursos para atender necessidades prioritárias em saúde, segurança e educação é “fantasia”. O alerta é do senador Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo, apontado pelas pesquisas mais recentes - ao lado do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) - como um dos favoritos para a disputa pela sucessão estadual em 2010. Segundo ele, um dos primeiros problemas a serem enfrentados é justamente o endividamento do Estado - em especial o imbróglio não superado pelo governo Requião, da briga com o banco Itaú por conta dos títulos públicos adquiridos pelo Banestado - sem o qual o Paraná não pode contratar novos financiamentos.
Na visão de Osmar, referindo-se às prioridades do próximo governo, as duas áreas mais preocupantes são saúde e segurança pública. “Eu diria que saúde hoje é a grande preocupação. Um prefeito me contou que está investindo 27% do orçamento em saúde. Isso denuncia que os outros poderes, Estados e união não estão cumprindo sua responsabilidade. Por isso a aprovação da emenda 29 seria a solução para o problema orçamentário. Não para o problema de gestão, que depois de muito andar eu tenho a proposta de envolver as universidades estaduais, aproveitando esse enorme contingente de pessoas - dos docentes ao acadêmico - que tem o ensino gratuito e deve continuar tendo. Acredito que eles podem retribuir o que recebem do Estado, prestando serviço nos hospitais regionais. Faltam profissionais de saúde para atender a demanda que é cada vez maior. Um município com seis mil habitantes teve 25 mil consultas esse ano. Isso mostra que virou uma exigência da população o atendimento público. Um exemplo pequeno que retrata o que acontece no Estado. Construir hospital resolve? É apenas um passo dentro da necessidade de atendimento que é cada vez maior. Se não incorporar o potencial das universidades, não atende.

Segurança
No que tange à questão da segurança, o senador diz que se comparado a Santa Catarina, o Paraná apresenta um índice de criminalidade, de mortes por número de habitantes três vezes maior. E duas vezes maior que o Rio Grande do Sul. “Santa Catarina dez e aqui 30 mortos para cada 100 mil habitantes. Isso mostra que a política de segurança pública do Estado precisa ser revista. Começando pela recuperação do efetivo, mas também colocando em prática políticas preventivas. Se você pegar os indicadores sociais dos três Estados do Sul, o Paraná tem os indicadores inferiores aos outros Estados, e os indicadores econômicos superiores. Isso não é coerente. E os indicadores sociais têm muito a ver com a violência. Se eles estão abaixo do que deveriam ser, cresce a violência. E aí a gente tem sempre falado na proposta de educação integral, estágio para os jovens, capacitação, núcleos de profissionalização. E essa questão das drogas que hoje são a ferramenta, o que alimenta o crime. E a gente tem que ter a política preventiva, mas também prevenir a entrada das drogas nas fronteiras, Forças Armadas, Polícia Federal”, ressalta.

Aliança
Questionado se as diferenças ideológicas são problema para a aliança com o PT, já que é visto como representante do agronegócio, “adversário” do MST, Osmar responde: “Contradição seria eu não apoiar o principal negócio do Estado que é a agricultura. Seria incoerente até com a minha história, sou produtor rural, filho de produtor rural. E desde o início, quando o presidente Lula me procurou para conversar sobre a possibilidade de uma aliança no Paraná, tanto ele quanto o PT sabiam o que eu pensava. Ninguém pode querer fazer aliança querendo mudar o que a outra pessoa pensa, ou as suas convicções, porque daí é forçar demais a barra”.
O senador garante que não houve um afastamento nos últimos tempos. “Na semana passada, o novo presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, me visitou e conversou bastante comigo”, menciona. Em relação ao Estado, Osmar comenta que a conversa com o PT não teve reflexos. “Disse que não poderia aceitar um prazo para definir uma aliança. O prazo é o da lei. Eles queriam até dezembro. Partido que quiser fazer aliança com o PDT vai ter que fazer essa aliança em cima de um projeto. Até porque o discurso do PT sempre foi esse: aliança programática”, diz.

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