Índios ameaçam fechar ponte novamente na sexta-feira

Publicado em: 07/08/2012 - 07:50 | Atualizado em: 02/09/2012 - 11:43

Vanderleia Kochepka


Cerca de 300 índios fecharam durante quase todo o dia de ontem (06) a Ponte Ayrton Senna, na BR-163, que liga as cidades de Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS). A manifestação aconteceu na cabeceira do lado paranaense da ponte e provocou filas de veículos de até oito quilômetros em ambos os sentidos da pista.

Os índios, que representam dez tribos das regiões de Guaíra e Terra Roxa, incendiaram pneus e colocaram galhos na rodovia, impedindo o tráfego. Toda a movimentação, que acabou sem maiores incidentes, é para exigir demarcação de terras e atendimento nas áreas de saúde e educação paras as aldeias.

O protesto teve início por volta das 08 horas. Às 16 horas o tráfego foi liberado parcialmente e, uma hora mais tarde, os indígenas decidiram liberar toda a pista. A decisão somente ocorreu depois que procuradores do governo federal e representantes do governo estadual se comprometeram a cobrar maior agilidade dos setores competentes para atender às reivindicações dos indígenas.

Ao final do dia, ficou definida a realização de uma nova reunião na quinta-feira (08). Segundo um dos líderes do movimento, o cacique Marciliano Lopes Cardoso, da aldeia guarani Tekohá Araguaju, em Terra Roxa, caso não haja um avanço efetivo no que solicitam as aldeias, uma nova manifestação deve acontecer na sexta-feira (10).

“Aí vamos fechar a ponte de verdade e não vamos sair enquanto não resolver tudo”, garante o cacique, que adianta que índios do Mato Grosso do Sul deverão reforçar a mobilização, se for necessário.

Demarcação

Conforme o assessor para Assuntos Fundiários do Paraná, Hamilton Serighelli, que acompanhou toda a negociação com os indígenas ontem e deve permanecer esta semana em Guaíra, a origem maior do problema está nas terras onde os índios vivem, que são áreas de litígio.

Como a demarcação, que compete ao governo federal, ainda não está concluída, o Estado não pode construir casas ou escolas nas aldeias sem autorização da Justiça. “Entendemos que as crianças não podem ficar sem educação”, diz Serighelli. Diante disso, a proposta do governo estadual é de que sejam instaladas três escolas com estrutura modular nas aldeias, que possam ser removidas para outro local, caso seja necessário.

Por outro lado, como o atendimento do setor de saúde indígena compete à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, o governo estadual, segundo o assessor, se compromete a acompanhar os trâmites para que essas solicitações sejam contempladas o mais rápido possível.

Pacífico

De acordo com Vitor Hugo, chefe de policiamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Guaíra, a manifestação durante todo o dia se deu de modo pacífico. Ele comentou também que os motoristas que ficaram parados na rodovia não se exaltaram, garantindo mais tranquilidade ao protesto. Agentes da PRF fizeram o acompanhamento da ação durante todo o dia.

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