Marechal

A nova arma contra os criminosos

O Presente

19/05/2017 às 12:00 - Atualizado em 19/05/2017 às 12:00

 

Mirely Weirich/OP

Cansados de serem alvos dos bandidos, vizinhos uniram-se em grupos no WhatsApp para fazer vigilância comunitária em loteamentos de Marechal Cândido Rondon

É só andar pelas ruas para perceber que as casas e os prédios estão cada vez mais cheios de grades, cercas elétricas, câmeras de vigilância, alarmes... Aparatos para tentar garantir um pouco de tranquilidade aos moradores. Ainda assim, nem todos esses mecanismos são suficientes para conter os criminosos, que estão cada vez mais ousados.

Por estarem cansados de serem alvos dos bandidos, moradores de diferentes loteamentos de Marechal Cândido Rondon encontraram uma nova “arma” para combater o crime: criando grupos de vigilância comunitária no WhatsApp.

Ao primeiro sinal de suspeita na vizinhança, eles anunciam no grupo, trocam informações sobre o que está acontecendo no bairro, chamam a atenção para possíveis suspeitos e, dependendo do caso, acionam a polícia. “Tivemos a ideia de criar o grupo depois que ocorreram três assaltos em uma mesma quadra em um intervalo de tempo bastante curto. Nos mobilizamos porque sabíamos que mais casas seriam alvo dos bandidos, por isso teríamos que ter algum tipo de vigia”, conta Victor Hugo Barbicz, idealizador do grupo de vizinhos criado no Loteamento Boa Vista em agosto do ano passado.

Com pouco mais de 20 membros, os vizinhos comunicam sobre qualquer movimentação diferente verificada nas ruas próximas. Se carros, motos ou ciclistas em atitudes suspeitas ou pessoas desconhecidas forem vistas na rua, algum morador logo verifica o que o “visitante” está fazendo pelo bairro e avisa os demais membros. “Quando criamos o grupo, perguntamos de casa em casa quem queria participar, explicamos o intuito do grupo e estabelecemos regras para evitar outros comentários, brincadeiras, para quando tocar o grupo ‘vizinhos’ os membros darem prioridade ao alerta, já que algo estranho estará acontecendo no bairro”, explica.

Apoio policial

O grupo do Boa Vista conta com dois vizinhos que são policiais, o que também agrega mais segurança à iniciativa dos vizinhos vigilantes. De acordo com Barbicz, quando estão em serviço, os policiais militares ficam ligados no aplicativo de mensagens instantâneas, o que torna mais rápida a comunicação com as forças de segurança pública. “Já foram feitas diversas abordagens e pegos suspeitos aqui no bairro por conta de alertas que os vizinhos informaram no grupo, e verificamos que diminuiu a movimentação de pessoas estranhas, carros que paravam em um milharal que tem aqui próximo, porque eles perceberam que nós temos essa comunicação, essa vigilância constante”, destaca.

A intenção dos vizinhos agora é confeccionar placas para serem instaladas em frente às residências informando: “meu vizinho cuida da minha casa”, que deve auxiliar ainda mais na segurança do bairro. “Os resultados com certeza foram positivos, nós estamos nos sentindo mais seguros e o número de assaltos diminuiu significativamente porque não damos muita oportunidade para os assaltantes”, completa.

Barbicz trouxe a ideia dos vizinhos vigilantes da Capital. Quando morou em Curitiba, havia um alto índice de assaltos a residências em seu bairro e após montarem o grupo mesmo sem o aplicativo de mensagens, o resultado foi a diminuição a quase zero de assaltos. “Lá inclusive a polícia surpreendeu os assaltantes dentro da casa de um morador por conta do vizinho ter acionado a polícia porque notou a movimentação de pessoas diferentes, e é esse o nosso intuito também, se acontecer de alguém suspeitar e ver um assalto, dar tempo de a polícia chegar e pegar os criminosos”, enfatiza.

De olho nos meliantes

No Port III e no Alto da Boa Vista os vizinhos se uniram em um grupo mesmo residindo em loteamentos diferentes - já que o bairro se divide no meio de uma quadra. No local, o motivo para a criação do grupo foi a mesma: a ocorrência de um assalto em fevereiro deste ano. “A iniciativa partiu de mim e do marido de uma vizinha. Trocamos ideias algumas vezes e depois de um tempo criamos o grupo com a ajuda de outra vizinha”, explica Fabiana Hertel Gottselig Neumann, administradora do grupo.

Atualmente, são 17 vizinhos que participam do grupo, que tem a dinâmica simples. Quando algum vizinho sai à noite, no fim de semana ou para uma viagem, ele avisa no grupo e pede para que os vizinhos fiquem de olho em sua casa. “Às vezes alguém nota algum carro ou pessoa suspeita e também avisa no grupo. Como aqui o bairro é retirado e poucas pessoas passam pela nossa rua, não é difícil perceber qualquer coisa diferente do normal”, diz.

Até hoje foi apenas uma ocorrência verificada no grupo que levou à chamada da Polícia Militar (PM), quando uma moto com dois suspeitos estava rondando o bairro, mas, de acordo com Fabiana, os chamados à PM não acontecem com muita frequência. “Certamente os resultados dessa iniciativa foram muito positivos, os vizinhos sentem-se mais seguros. Pelo menos em nossa rua e com as pessoas que estão no grupo, nenhuma casa foi mais assaltada”, avalia.

Inspiração

Pelos resultados positivos, a iniciativa pode servir de inspiração para outros bairros e loteamentos do município, pois, conforme Fabiana, ter o envolvimento dos vizinhos na segurança do bairro passa um pouco mais de confiança para todos que moram nessas ruas. “Em nosso bairro existem muitos lotes vazios com mato alto e a polícia faz poucas rondas por aqui”, destaca.

Barbicz também indica para moradores de outros bairros que querem tomar a iniciativa como exemplo que busquem apoio das forças de segurança. “Um dos vizinhos deve procurar a Polícia Militar informando que representa um grupo de vizinhos de determinado bairro, que estão fazendo uma vigilância comunitária, e que gostariam de ter um apoio e atenção quando acionarem a polícia. Eles, sem dúvida, têm interesse nessa iniciativa porque às vezes não sabem o que está acontecendo e não conseguem atender às ocorrências. É só uma questão de se organizar entre os vizinhos e buscar apoio policial”, menciona.

União

Mas não é só por conta da falta segurança que os vizinhos têm se mobilizado em grupos no WhatsApp. Apesar de ter sido uma onda de assaltos que motivou os moradores dos loteamentos Maioli, Prass e Batke a montarem o grupo, criado por Fabiano Lamb há cerca de um ano, a troca de mensagens também serviu para aproximar a boa vizinhança. “O começo foi realmente por conta de roubos e assaltos na vizinhança, mas hoje também utilizamos o espaço para assuntos dos loteamentos, como solicitações para melhora das vias urbanas para o Poder Público e até já montamos um mutirão para a instalação de um playground infantil”, conta.

A área destinada para ser o ponto de encontro das crianças da região foi montada no último fim de semana e é oriunda de doações dos moradores. Balanço, gangorra, cachepô para flores, pneus, tintas, entre outros artigos foram cedidos pelos próprios vizinhos para a montagem do local, que receberá os retoques finais neste fim de semana. “Ainda faltam alguns detalhes, como plantar as flores, colocar a areia no chão e a pintura, mas quando começamos já foi válido porque vários vizinhos se envolveram e conhecemos muitos vizinhos que não tínhamos contato ou conhecíamos só pelo grupo”, destaca Lamb.

Mesmo tendo assuntos variados para melhorar a qualidade de vida da vizinhança, a questão segurança não é deixada de lado: quando alguma movimentação estranha é vista por um morador, todos os outros já são avisados no grupo. “Também quando alguém vai sair da cidade, informa para que os outros fiquem de olho na casa”, ressalta.

Ao todo, são 75 participantes, que já notaram a diminuição nas ocorrências policiais nos três loteamentos. “Já chegamos a avisar a polícia por situações verificadas no grupo, até porque temos a felicidade de ter vizinhos policiais que participam, então a comunicação com a polícia fica até mais fácil”, comenta. “Diminuiu consideravelmente os assaltos. Não me lembro se teve alguma situação depois que o grupo foi criado. A iniciativa foi extremamente positiva porque além de aproximar os vizinhos, os criminosos perceberam que nós estamos vigilantes e cuidando do bairro”, complementa Lamb.

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