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Animais de estimação exóticos são uma boa escolha?

 

Divulgação
Apesar de diferentes e até mesmo “fofos”, médicos veterinários alertam que para tê-los em casa é preciso muita disposição e responsabilidade

 

Ter um animal de estimação em casa é algo bastante comum. Seja cachorro, gato ou passarinho, o que importa é ter o bichinho que você gosta para amar e cuidar. Mas, muitas pessoas, com uma personalidade peculiar, precisam de um animal de estimação que combine consigo. Este é o caso do estudante Paulo Henrique Lins, que há um ano adquiriu um bichinho diferente: uma cobra. A jiboia foi carinhosamente nomeada de Matty e desde então tem sido a xodó do estudante.

Paulo explica que a escolha em ter uma cobra como animal de estimação veio de uma paixão de criança. “Eu quis uma serpente porque desde pequeno acho elas lindas e fascinantes. O jeito que se locomovem, como caçam e comem, diferente de qualquer outro animal. Sem falar de como, dependendo da espécie, assim como a minha, são tranquilas e calmas, seja para ficar no chão ou no meu braço e pescoço”, conta.

Antes de comprar o animal, Paulo comenta que pesquisou bastante sobre ele. “É muito importante pesquisar bem antes de adquirir qualquer animal, mesmo que doméstico. Mas é mais importante ainda quando é um animal silvestre ou exótico. Eu pesquisei por dois meses antes de comprar. E mesmo depois continuei pesquisando. E ainda agora, que tenho ela, continuo me atualizando sempre”, menciona.

Essa atitude de buscar informações prévias sobre o animal que pretende-se ter como de estimação é também recomendada pelos médicos veterinários. “Se a pessoa quer ter um animal diferente, ela tem que pesquisar o que esse animal come, onde ele vai viver, entre outras características. Muitas vezes, as pessoas acham bonito, principalmente quando é filhote, mas não pensam em muitos desses detalhes”, pontua a médica veterinária Alice Formigheri Frigotto.

Ela diz que aqueles que pretendem ter uma cobra como animal de estimação, por exemplo, devem prestar atenção ao fato de que ela exige alguns cuidados, principalmente com a alimentação. “A pessoa deve lembrar que precisa alimentar essa cobra. E ela se alimenta de animais vivos. Então, é preciso que o dono providencie filhotes de camundongo ou mesmo hamster para ela comer. E não são todas as pessoas que conseguem jogar um filhote dentro de um aquário ou terrário para a cobra comer”, expõe a veterinária, reiterando que saber detalhes como esses são imprescindíveis para quem quer ter um animal exótico de estimação.

 

Arquivo pessoal

Paulo Henrique Lins sempre gostou de serpentes, mas somente adquiriu a sua depois de pesquisar bastante sobre as características do animal


 

Detalhes a serem observados

Paulo conta que com a pesquisa aprendeu o que precisaria para ter Matty em casa. Ele explica que a jiboia é de uma espécie que fica razoavelmente grande, sendo a segunda maior do Brasil. Segundo o estudante, há registros de animais que alcançaram 4,5 metros, embora em cativeiro elas fiquem entre os 2,5 e três metros. E a alimentação não é algo que incomoda o dono da cobra. “Quando ela chegou, tinha por volta de 40 centímetros, então eu alimentava com um camundongo por semana. Conforme ela foi crescendo, fui aumentando até três camundongos a cada 15 dias. Depois disso, tive que trocar de três camundongos para um mercol, ou ratazana doméstica, nessa mesma frequência”, pontua.

Para que o animal fique o mais confortável possível, Paulo informa que tem em casa um terrário. “No início eu criava em uma caixa organizadora transparente com um toca e água, pois as serpentes, diferente de outros animais, se estressam com locais muito grandes. Depois de um certo tempo eu mudei para um terrário de madeira com a frente de vidro com 1,5 metro de comprimento, 50 centímetros de largura e 50 centímetros de altura”, expõe.

O estudante menciona que a jiboia tem em torno de 1,5 metro atualmente. “Ela praticamente não sai da toca, que tem proporções de 30x10x10”, comenta.

Paulo diz que uma preocupação que ele teve em função da escolha do animal de estimação foi quanto ao controle de umidade e temperatura do ambiente. “É muito importante ter uma fonte de aquecimento para um animal desses, porque como são animais ectodérmicos, ou seja, de sangue frio, eles não conseguem controlar a temperatura corporal como nós. E para isso eu uso uma pedra aquecida como forma de aquecimento para ela”, declara.

 

Conforto é fundamental

A médica veterinária destaca que quando a pessoa escolhe ter um animal de estimação, qualquer que seja, deve saber que é obrigação dela oferecer o melhor conforto para o bichinho. “Antes de adquirir um animal, especialmente estes exóticos, é preciso se informar e verificar se há condições de manter esse animal, tanto em questão de tempo, quanto de vontade”, enfatiza. Ela faz um alerta aos pais que gostam de dar este tipo de animais para crianças. “Muitos gostam de dar animais diferentes para os filhos, como coelhos, por exemplo, achando que ele vai cuidar. Mas, com certeza, vai ficar para o adulto a responsabilidade de cuidar do animal, e a pessoa deve pensar se é isso mesmo que ela quer, se ela vai ter esta disponibilidade”, enaltece.

 

Responsabilidade

Alice ressalta que ter um animal de estimação é como ter um filho, pois a pessoa tem que ter responsabilidades e saber que terá de cuidar e dar amor e atenção. “Um animal é um ser que tem necessidades, tanto de alimentação quanto de conforto e afeto. Então, se você está domesticando um animal, ele vai precisar de afeto da sua parte e você precisará corresponder a isso, se não ele pode entrar em depressão”, alerta.

Conforme a profissional, desde filhote o animal aprendeu a receber determinado tipo de amor e afeto do dono, e vai precisar recebê-los pelo resto da vida dele. “É um animal e precisa de atenção”, destaca, acrescentando: “Muitas vezes quando é filhote a pessoa acha tudo bonito, mas ela deve saber que este animal cresce”, comenta.

Alice exemplifica comentando que algumas pessoas compram uma iguana porque acham bonita, mas não lembram ou não pesquisam que esse animal pode chegar a até três metros de comprimento. “Você tem condições para ter um animal deste tamanho dentro da sua casa? A pessoa deve se questionar”, orienta, chamando a atenção para o fato de que muitos acabam abandonando o animal.

A médica veterinária diz que muitas pessoas abandonam animais em matos próximos de casa, mas se esquecem que que eles foram criados em cativeiro e não sabem sobreviver neste meio. “A pessoa deve ter consciência de que ela não adquiriu um carro que pode trocar ou deixar abandonado, mas que é um ser vivo e precisa de atenção e muitos cuidados. Ter um animal exótico como bicho de estimação requer muita responsabilidade”, frisa.

Além disso, ela lembra que a pessoa não pode esquecer que além de não permanecerem filhotes para sempre, os animais também têm um tempo de vida. “Alguns deles podem viver 15, 20 anos. Por isso a pessoa deve se perguntar: eu estou disposto a ter uma cobra, uma iguana ou algum outro destes animais por tanto tempo?”, enfatiza.

 

Detalhes

Paulo afirma que quando a pessoa vai adquirir algum animal exótico, antes deve verificar se há um médico veterinário por perto em condições de atendê-los. “Porque não é todo veterinário que sabe tratar de um animal como esse e é sempre bom fazer um check-up quando possível”, enaltece.

De acordo com Alice, os rondoneses em geral têm bastante interesse por animais exóticos. Segundo ela, as pessoas procuram bastante por ferrets (furão), iguanas, cobras, chinchilas, tartarugas e até mesmo papagaios, cacatuas e araras. “As pessoas costumam vir e pedir informações sobre eles. Nós sempre orientamos, na medida que sabemos, as características do animal em questão que a pessoa pretende comprar. Mas também recomendamos que ela pesquise bastante antes de propriamente adquirir o animal”, expõe.

 

Como adquirir?

A veterinária diz que é imprescindível que a pessoa opte por adquirir um animal de uma clínica veterinária ou um criador que tenha a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Porque, para ter estes animais, é preciso ser legalizado, ter toda uma documentação. A pessoa assina um termo de responsabilidade e ganha também os documentos que comprovam que aquele animal é legalizado”, informa.

Paulo concorda. Para ele, a licença do Ibama é fundamental. “É importante que a pessoa também já saiba onde adquirir alimento e atendimento veterinário, caso precise”, reforça.