Política

“O estrago já está feito”, avalia Dilceu Sperafico

 

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Deputado federal do PP, Dilceu Sperafico: “Se for eleição indireta ela precisa acontecer logo para o Brasil rodar. O país não pode parar”

A política brasileira foi pega de surpresa e entrou em choque na noite de quarta-feira (17), quando foram divulgadas as primeiras informações a respeito da delação que os donos do frigorífico JBS, irmãos Joesley e Wesley Batista, e alguns executivos da empresa firmaram com a Procuradoria-Geral da República.

Os delatores causaram um abalo em Brasília e fizeram o governo vir ao chão com a notícia de que o presidente Michel Temer (PMDB) deu o aval para pagamento de propina com o objetivo de silenciar o ex-deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já preso na Operação Lava Jato.

Horas depois das primeiras informações virem à tona, na manhã de ontem (18) o deputado federal Dilceu Sperafico (PP) conversou com a reportagem do Jornal O Presente. Até então, o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, não havia ainda homologado as delações da JBS.

Para o parlamentar, a divulgação das delações abalou de forma geral o Brasil e paralisou os trabalhos no Congresso Nacional. “O governo está apavorado. O dólar disparando. O pior de tudo é a economia, que estava alinhando, já havia sinais de recuperação e geração de empregos. Deste jeito fica complicado”, avaliou.

Outro ponto preocupante, conforme Sperafico, é que a tramitação das reformas, como da Previdência e trabalhista, deve paralisar. “As reformas estavam andando bem. A trabalhista quase pronta no Senado e em estágio avançado, e agora deve dar uma segurada. Isso é outro problema para o Brasil”, analisa.

Sobre as eleições diretas, como algumas lideranças políticas têm defendido, o pepista reforça que o período para isso passou e que resta, se for o caso, a eleição indireta. “Não sabemos o que vai acontecer. É difícil prever. Se for eleição indireta ela precisa acontecer logo para o Brasil rodar. O país não pode parar”, argumenta.

Renúncia, impeachment ou permanência de Temer na Presidência? Questionado qual das alternativas defende, o deputado foi enfático: “Acho que é muito cedo para dar opinião. Não tenho ideia formada ainda. As notícias são recentes e tudo ainda é muito frágil. No início da próxima semana já conseguiremos sentir os efeitos, mas o estrago já está feito”, conclui.

 

Em tempo

O Jornal O Presente entrou em contato com outros deputados federais que possuem representação política em Marechal Cândido Rondon, mas eles não atenderam os telefonemas e não retornaram as ligações.