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Técnico da Copagril projeta time estável daqui pra frente

 

Joni Lang/OP

Técnico da Copagril/Sempre Vida/Sicredi/Marechal Cândido Rondon, Paulinho Sananduva: “Nosso maior desafio é manter esta sequência de atuações e de atitudes no ataque e na defesa para padronizar e ter equilíbrio. A gente deve manter um rendimento de acordo com o adversário e com a competição”

Depois de uma temporada exitosa em todos os sentidos no ano passado, com o 3º lugar na Liga Nacional de Futsal e a conquista do terceiro título no Campeonato Paranaense de Futsal Série Ouro, a equipe Copagril/Sempre Vida/Sicredi/Marechal Cândido Rondon atravessa uma fase de rendimento menos expressivo. Tal fato é observado especialmente no Paranaense, competição em que o time ocupa o 11º lugar - a lanterna - com dois empates e duas derrotas em quatro jogos, ou seja, dois pontos somados. Já na Liga Nacional o selecionado figura provisoriamente em 3º lugar com oito pontos em cinco jogos, com duas vitórias, dois empates e uma derrota.

Tal desempenho tem feito com que os torcedores se perguntem o que acontece com a equipe, considerando que em 2016 a temporada foi de sucesso e neste ano segue abaixo do desejado. Ao Jornal O Presente, o treinador Paulinho Sananduva diz que a performance pode variar de uma temporada à outra, contudo acredita que a equipe esteja se reencontrando e muito próxima de entrar no caminho do equilíbrio. Um exemplo disso pode ter sido a vitória sobre o Carlos Barbosa pelo placar de 3 a 2 pela Liga Nacional, na última terça-feira (16). A expectativa fica para as 21 horas de hoje (19), quando a Copagril recebe o Toledo Futsal em clássico válido pela Série Ouro, no Ginásio Ney Braga.

 

Cenários distintos

Sananduva reconhece que a Copagril Futsal teve um início de ano fora do normal. “Nós tivemos o problema da quadra e treinamos quase 60 dias em Quatro Pontes, e agradecemos a prefeitura que nos cedeu o ginásio sempre muito limpo e organizado. Participamos da Taça Brasil, competição em que fizemos bons jogos, mas não vencemos. Posteriormente foi iniciada a Liga Nacional em Sorocaba, onde a gente teve performance boa porque trouxe o empate, mas em seguida teve um resultado muito ruim contra o Cascavel”, pontua.

O treinador avalia que o grupo teve um início bom na Liga e um começo bastante ruim na Série Ouro. “Não tem como esconder porque os resultados estão aí. Na Série Ouro empatamos com o Guarapuava e Marreco fora, esses não são resultados ruins. O que está fora de contexto são as derrotas para Cascavel e em casa para Foz do Iguaçu, porque sempre se imagina que dentro de casa temos mais condições e podemos nos mobilizar diferentemente do que fora de casa”, menciona, acrescentando que o time vive fases distintas nas competições.

Conforme o técnico, a meta é se recuperar nos três próximos jogos, dos quais dois em casa e um fora contra o Umuarama, para que a equipe se posicione entre os oito melhores no Paranaense.

 

Lesões

Para entrar em uma sequência boa, Sananduva destaca que os jogadores Poletto e Vitor - que vieram de outras equipes - foram prejudicados nas suas adaptações e continuidade devido a lesões sofridas, contudo estão retomando os treinos com bola e o calendário de jogos. “Nós trabalhamos com intensidade muito alta e pouco intervalo em virtude de termos uma competição. Precisávamos chegar na Taça Brasil com uma condição muito boa para brigar pelo título, era isso o que queríamos. Eu já passei várias dessas fases de iniciar o ano bem e não ter problema, como aconteceu ano passado, ou iniciar o ano mal e ir recuperando durante as competições. A nossa preparação foi diferente do ano passado e os resultados também, esperamos agora ter uma sequência boa”, ressalta.

 

Cartões

Outra questão diz respeito aos cartões que fizeram com que alguns jogadores não estivessem à disposição do técnico nas partidas. “Os cartões não são uma preocupação apenas minha, mas de muitos técnicos. Nós temos uma forma de marcar muito agressiva, muito forte, uma pegada boa e isso ocasiona muitas vezes a levar cartões. A gente só não admite levar cartões por reclamação. O jogador é um ser humano, às vezes ele perde o equilíbrio e reclama diferentemente do que deveria com o árbitro, que, por sua vez, está ali para cumprir a lei. Eu acho que essa fase também já passou. Nós conversamos muito com os jogadores e procuramos orientá-los para que se preocupem exclusivamente com as partes técnica, tática e física que mais contam dentro do jogo”, expõe.

Encaixe e reforços

A Copagril tem 28 compromissos pela frente nesta 1ª fase nas duas competições, respectivamente 12 na Liga Nacional e 16 na Série Ouro, até o mês de outubro para entrar nos play offs (classificatórios).

“Tem muita água pela frente. Esperamos que com o retorno desses jogadores que estavam lesionados nós tenhamos mais opções para encaixar dentro do jogo, menos desgastes e o máximo de jogadores à disposição. A competição no Paraná é muito difícil, hoje temos cinco na Liga e outras seis equipes muito bem montadas e que podem surpreender. O Campeonato Paranaense se torna muito mais difícil de jogar do que a própria Liga. Temos que buscar gradativamente esse equilíbrio entre Paranaense e Liga Nacional, equilíbrio de resultados e atuações para que possamos brigar entre os classificados”, opina Sananduva.

Na metade do ano de 2013 a diretoria da equipe contratou reforços que contribuíram à conquista do bicampeonato da Série Ouro. Perguntado se isso tende a acontecer nesta temporada, o técnico diz que a princípio não há este pensamento, uma vez que muitos jogadores não tiveram sequência de partidas para que tal avaliação ocorra. “Temos algumas avaliações periódicas no decorrer do ano, ou seja, de atuações, posturas e atitudes. Isso fica estabelecido no início do ano no planejamento. Na metade do ano nós temos uma reunião de avaliação em que entram todos esses fatores, atuações, comportamento, uma série de coisas. Outro detalhe diz respeito ao tipo de jogador que está à disposição. Eu diria que a Copagril permanentemente fica alerta e se for interessante para trazer qualidade dentro dos objetivos a gente vê a possibilidade de reforçar ou não o elenco”, declara.

 

Nova fase

No entender do técnico, a vitória sobre o Carlos Barbosa foi importante porque se trata de uma equipe que tem tradição e é multicampeã. “Eu trabalhei lá duas vezes, ajudei a ganhar títulos importantes e sei que isso é bom para o grupo. É excelente você vencer um adversário grande porque te dá confiança e motivação. O nosso maior desafio é manter esta sequência de atuações e de atitudes no ataque e na defesa para padronizar e ter equilíbrio. A gente deve manter um rendimento de acordo com o adversário e com a competição. Esta vitória nos dá tranquilidade, segurança e mostra que o grupo tem condições de render e jogar mais. Os jogadores entenderam que é essencial este tipo de preparação para gradativamente a gente ter uma rotina para vencer os jogos”, acrescenta.

 

Objetivos

Sananduva enaltece que a comissão técnica trabalha com os jogadores a necessidade de conhecer o caminho a ser percorrido, assim como ter uma sequência de jogos para vencer e objetivos paralelos a serem alcançados. “Primeiro é dar uma estabilidade ao time em termos de atuações, porque a gente estava oscilando muito. Queremos nos classificar do 1º ao 8º lugar na Liga, para ter vantagem no play-off e possivelmente brigar entre os quatro. O interesse inicial no Paranaense também é brigar entre os quatro porque muitas equipes oscilam nas fases classificatórias e crescem nas finais (decisivas), ao contrário de outras”, comenta.

“Ano passado Carlos Barbosa foi uma grande equipe, fez uma Liga muito boa, mas quando chegou no play-off pegou um dos últimos e foi eliminado. Eu sou contra play-off por ser uma fórmula que atende muitas vezes mais a televisão. Eu dividiria novamente em duas chaves de quatro, para ter mais condição. Nós pretendemos crescer no momento certo, se possível chegar ao título paranaense e entre os melhores na Liga Nacional”, finaliza.