Policial

Brasiguaios pedem ajuda do governo contra invasões

O Presente

13/07/2011 às 16:37 - Atualizado em 01/09/2012 às 09:08

Após sobrevoar a região em que produtores brasileiros e sem-terra paraguaios disputam áreas, o vice-ministro paraguaio do Interior, Gregorio Almada, garantiu ontem que os campesinos acampados na propriedade do grupo brasileiro Favero, em Ñacunday, no estado de Alto Paraná, serão desalojados a partir de hoje. A decisão foi confirmada também por porta-vozes da Presidência da República do país vizinho.

Desde domingo, policiais estão nas proximidades da área de maior conflito agrário no Paraguai para impedir que agricultores brasileiros e sem-terra paraguaios entrem em confronto. Segundo os colonos, o problema estava na indecisão do Judiciário paraguaio. “Enquanto um juiz insistia na ocupação, outro decidia pela reintegração”, disse o brasileiro Osias Neiverth. “Os ocupantes foram intimados a deixar a propriedade há uma semana. Se insistirem em ficar, seremos obrigados a cumprir a decisão judicial de desocupação. E, este prazo termina amanhã [hoje]”, observou Almada. Os sem-terra estão na propriedade há 80 dias. O governo anunciou que pretende criar um cadastro nacional para medir o déficit agrário do país.

Decididos a pressionar o governo paraguaio, agricultores brasileiros dos estados de Alto Paraná e Canin­deyú começam hoje um tratoraço em duas das principais rodovias de acesso a Encarnación, na fronteira com a Argentina, e à capital Assun­ção. A manifestação, que já vinha sendo estudada pelos líderes de agremiações agrícolas, foi decidida no final da tarde de ontem, em resposta às agressões sofridas pelo pro­­dutor Ademir Rickli, atacado por um grupo de sem-terra que ha­­via sido desalojado há uma semana.

Por volta das 10 horas, Rickli, irmãos, filhos e funcionários pretendiam limpar a área antes ocupada por pelo menos 40 famílias de sem-terra, agora acampadas às margens da rodovia. Assim que começaram o trabalho foram atacados por um grupo de 15 homens armados com paus, pedras e facões. “Foi uma emboscada. Meu pai acabou atingido no rosto e na cabeça por golpes de facão e pedra”, contou o Ademir Rickli Júnior. O agricultor passa bem. Revoltados, cerca de 20 produtores rurais bloquearam a via por quase quatro horas.

Há quase três meses impedidos de plantar, proprietários que tiveram as terras invadidas denunciam uma série de arbitrariedades sustentadas por instituições ligadas ao próprio governo paraguaio. “Os campesinos [sem-terra paraguaios] chegam, acampam e exigem que a gente saia da propriedade, dizendo que são os verdadeiros donos”, afirmou Rickli Júnior, há 12 anos em San Rafael del Paraná, no país vizinho. De acordo com o brasileiro, os campesinos são auxiliados por falsificadores de títulos que têm como alvos as propriedades produtivas.

“Queremos apenas que respeitem os nossos direitos e que possamos trabalhar em paz. Nosso lugar não é aqui protestando, é na terra produzindo”, comentou o agricultor Adair Matei, desde 1979 em Formosa, a cerca de 100 km de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. “Precisamos que o governo paraguaio faça a sua parte e garanta a nossa segurança”, completou o presidente da Associação Agrícola de Alto Paraná, Adir Lui. Um dos mais ricos do país vizinho, o estado reúne cerca de 6 mil brasileiros que plantam soja.

Apoio

Capital da imigração brasileira na década de 1970, Santa Rosa e municípios vizinhos como Santa Rita, Naranjal e Cedrales são responsáveis por quase toda a produção de grãos do Paraguai. “Estamos trabalhando aqui há mais de 30 anos, sempre por conta própria. Do Brasil não recebemos quase atenção nenhuma. Temos o apoio apenas de um ou outro prefeito e governadores paraguaios”, disse o agricultor Luís Zuchi. Manifes­tantes com tratores e máquinas se concentraram em pelo menos cinco localidades da região.

Preocupados com o acirramento dos conflitos por terra em Alto Paraná, prefeitos decretaram estado de emergência. A iniciativa permite que acionem o governo paraguaio e organismos internacionais para que o impasse possa ser resolvido. “Queremos dar uma solução pacífica para essa questão. Estamos esperando uma resposta. Caso nada seja feito, é bom que saibam que temos força para parar o país”, ameaçou o prefeito de Santa Rita, Concepción Rodríguez, adiantando que a partir de amanhã o comércio poderá ser fechado. (Gazeta do Iguaçu)

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