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Agronegócio

Acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar exportações do Paraná, mas preços continuam estáveis, diz representante do agronegócio

Estado cumpre exigências sanitárias e de rastreabilidade cobradas pelo mercado europeu. Acordo foi assinado na sexta-feira (16), no Paraguai


calendar_month 19 de janeiro de 2026
4 min de leitura

O Paraná está entre os estados brasileiros mais beneficiados com o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado na última sexta-feira (16), segundo representantes do setor do agronegócio no estado.

O tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países dos dois blocos, mas a expectativa do setor é de que, assim que o acordo impulsionar as exportações assim que entrar em vigor, principalmente nos segmentos de carnes, café e óleos vegetais, nos quais o Paraná tem forte participação.

O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.

Consumidor não verá aumento no preço

No agronegócio paranaense, mesmo produtores que não exportam diretamente podem sentir os efeitos do acordo. É o caso do produtor rural Rafael Ansolin, que cria leitões em Toledo, no oeste do estado, e integra uma cadeia produtiva voltada à exportação.

“A gente cria um compromisso com a cooperativa. Eles pegam nosso animal porque precisam. Já existe uma certificação voltada para exportação e isso traz segurança”, afirma.

Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o impacto do acordo será gradual e não deve refletir no aumento do preço da carne no mercado interno.

“O aumento da exportação ajuda a diluir custos e contribui para manter preços mais baixos no mercado interno. Não há expectativa de alta para o consumidor por causa do acordo”, diz.

Segundo Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), no cenário atual os preços tendem a continuar estáveis.

“Pode levar 10 anos para reduzirmos as tarifas da carne a zero. Atualmente, temos um cenário de estabilidade. Como existem várias questões a serem definidas do acordo, não é algo que acontece a curto prazo e o mercado interno é muito resiliente quando se fala em preço”, explica Sartorelli.

Impacto para produtores paranaenses

Para quem está no campo, a expectativa é de crescimento ao longo dos próximos anos. “Se houver demanda, a gente vai produzir”, afirma Rafael.

O presidente da ABPA destaca que, apesar das exigências maiores, o acordo pode trazer melhor remuneração para toda a cadeia produtiva.

“Vai haver mais exigências na granja, mas também melhor remuneração. Isso gera mais renda para produtores, trabalhadores e serviços ligados ao setor”, conclui.

A entrada no mercado europeu, no entanto, exige controle rigoroso. A União Europeia cobra informações sobre origem, método de produção e cumprimento de regras ambientais. Segundo representantes do setor, o Paraná tem vantagem sobre outros estados brasileiros, porque cumpre grande parte dessas exigências.

“O Paraná já sai na frente porque muitos produtores atendem às exigências que a União Europeia costuma cobrar, especialmente na área sanitária e de rastreabilidade. O estado tem um sistema de controle consolidado e produtores capacitados”, diz Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

Em 2025, somente em produtos agropecuários, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas para a União Europeia, o que rendeu mais de US$ 2 bilhões, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Entre os principais produtos da relação comercial do Paraná com a União Europeia estão o complexo soja, milho, carnes, café, além de itens de maior valor agregado, como sucos, processados e alimentos industrializados. A expectativa do setor é ampliar essa quantidade nos próximos anos.

“O Paraná concentra cerca de 40% da produção nacional e responde por 42% das exportações brasileiras. Com o acordo, deve manter essa fatia e ampliar volumes e valor agregado”, afirma Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Exportação de carne bovina quase dobra no Paraná em 2024. — Foto: RPC

Com g1

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