O setor do transporte está em alerta. O agronegócio também. A crise no Oriente Médio já chegou na região. O vice-presidente do Sindicato das Transportadoras explica que a guerra entre Irã e Israel, com envolvimento direto dos Estados Unidos impacta a economia brasileira principalmente pela alta do petróleo, que supera US$ 120, pressionando um aumento do óleo diesel.
“No Brasil nós temos de 25% a 30% do Diesel importado. Como o Diesel é importado, aumentou o barril do petróleo e as importações já aumentam quase que instantaneamente já que o consumo é muito grande. Então você tem essa faixa aí de 25% a 30% importado já registrando, isso impacta diretamente no posto”, explica o vice-presidente do Sintropar, Eduardo Ghelere.
Com o reajuste dos combustíveis, os custos de frete e logística são consequentemente elevados. No entanto, segundo esta economista, pior do que a alta é a possibilidade de faltar óleo diesel.
“O Oriente Médio é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Contudo, ainda teremos outros países ofertantes, mas é óbvio que essa será uma matéria prima que estará reduzida em questão de oferta no mercado”, detalha a economista, Bruna Ramos.
Essa falta ameaça outro elo muito importante da economia nacional e mais fundamental ainda na região oeste, pela força da cadeia do agronegócio. Além do óleo diesel, o presidente do Sindicato Rural de Cascavel afirma que os fertilizantes, que junto com as sementes, defensivos e o próprio combustível, formam a base do agro, também já estão muito mais caros.
“Boa parte do fertilizante nitrogenado vem do Diesel, impacta a indisponibilidade e o custo porque não vai estar chegando e não temos esse produto ao preço que tínhamos”, explica Paulo Orso.
Importação mais cara, porque com menos oferta no mercado a concorrência é maior, então precisa pagar mais caro para receber o produto, e exportação mais barata, porque com os embargos sobre produtos no mercado brasileiro e é preciso vender mais barato. Desequilíbrio total da balança.
Aqui na região ainda não tem informações de produtores sem o óleo diesel para a lavoura do milho, em pleno desenvolvimento, ou para quem ainda porventura tem soja para colher. Mas, há transportadoras com muitas dificuldades de abastecimento. E o cenário pode ser ainda pior nas próximas semanas.
“O reflexo vai ser grande. Se o barril do petróleo se estabilizar a US$ 90, é um número que a gente consegue suportar. Agora, se chegar a US$ 100 ou US$ 120, aí vai ser um problema muito grande porque vamos para o Diesel a R$ 8”, detalha Eduardo.
O conflito não está diretamente ligado ao Brasil, mas não há dúvida que os impactos serão sentidos por diversos setores, chegando até a casa do consumidor.
Tem muita gente correndo aos postos de combustíveis para reabastecer o que tem no momento em sua propriedade. Mas é importante ter cautela.
A preocupação da FAEP neste momento é sobre o campo das especulações, já que muitos postos de combustíveis já aumentaram o valor do óleo Diesel, sendo que na refinaria a Petrobras ainda não anunciou.
“A Petrobras já começou a racionar a distribuição de Diesel às distribuidoras. Eles implementaram um sistema de cota-dia, ou seja, a Petrobras tem passado o volume de Diesel conforme a média dos últimos dias à distribuidores. Isso para evitar que distribuidoras formem estoques para depois aproveitar o momento em que for anunciado a alta do Diesel“, explica o técnico do sistema FAEP Luiz Eliezer.
Segundo o técnico do FAEP, muitos produtores não estão encontrando Diesel em em TRR’s e postos de combustíveis, além do preço bastante alto apesar da Petrobrás não ter anunciado o aumento do valor.
Com Catve
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