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Agronegócio Melhor que o napier?

Capim capiaçú é uma boa alternativa?

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Capiaçú a esquerda e Napier a direita aos 60 dias (Fazenda Experimental Antônio Carlos dos Santos Pessoa – Unioeste, Marechal Cândido Rondon).

Confira o que aponta estudo da Área Forragicultura e Pastagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Marechal Cândido Rondon

Em 2015 a Embrapa lançou uma cultivar de capim elefante (Pennisetum purpureum) denominada BRS Capiaçu, desenvolvida pelo programa de melhoramento da Embrapa Gado de Leite, com objetivo de proporcionar uma alternativa para suplementação volumosa. Trata-se de um clone O clone CNPGL 92-79-2, obtido do cruzamento entre os acessos Guaco IZ2 (BAGCE 60) e Roxo (BAGCE 57).

O capim Capiaçú pode ser usado como capineira (cortada e servida aos animais no cocho) ou para produção de silagem, não sendo indicado para pastejo, devido a suas características estruturais. Segundo a Embrapa (2016), o capim pode alcançar uma produção de 50 toneladas de matéria seca por ano (com 2,4 m de altura), o que equivale a 250 mil toneladas de matéria verde em três cortes anuais. Com esse potencial de produção podemos inferir que precisamos de um solo com uma saturação de bases elevada e com níveis de nutrientes elevados também, pois a extração de nutrientes a cada corte é alta.

Seu uso como capineira exige um intervalo de corte na primavera verão de 60 dias e para silagem, 90 dias de crescimento (3,6 m de altura), onde os teores de umidade da forragem são menores. Entretanto, deve-se acompanhar a altura do capim, pois se as temperaturas estiverem mais elevadas com níveis de fertilidade do solo altos e solo com umidade, pode ser que o intervalo entre cortes seja inferior.

O capiaçú é susceptível à cigarrinha das pastagens Mahanarva spectabilis. Entretanto, quando a capineira é bem manejada, a cultivar apresenta boa tolerância ao ataque da praga. O uso de silagem da BRS Capiaçu na alimentação de vacas em lactação implica na suplementação com concentrado na dieta, quando comparado ao uso da silagem de milho, visando atender aos requerimentos nutricionais dos animais. O capim capiaçú como silagem para vacas leiteiras de alta produção necessita ser complementado com uma fonte de proteína.

Mas a pergunta é: capiaçú é melhor que o napier? A resposta depende da comparação entre os dois cultivares através de ensaios de pesquisa na região em que se deseja adotar o Capiaçú. A Embrapa (2016) recomenda o Capiaçú para bioma Mata Atlântica, solos profundos e férteis.

O Núcleo de estudos em feno e pré-secado (NEFEPS) do Centro de Ciências Agrárias da Unioeste campus de Marechal Cândido Rondon, coordenado pela professora Marcela Abbado Neres e seus orientados, avaliaram no ano de 2023 o desempenho do capim capiaçú comparado com o capim Napier. Os dados citados nesse artigo referem-se a uma avaliação de crescimento onde os cortes foram realizados com 30, 60 e 90 dias de crescimento, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2023.

Pode-se observar no primeiro ciclo de crescimento após o corte da uniformização, que os teores de proteína bruta dos capins (Napier e Capiaçú) foram semelhantes o mesmo ocorrendo com o teor de fibra (fibra detergente neutro – FDN). Com 30 e 60 dias de rebrota os capins apresentaram 12,18% e 10,25% de proteína bruta, respectivamente e aos 90 dias 7,54% PB. Quanto à produção de matéria seca (toneladas por hectare) os meios de divulgação (Embrapa) consideram o Capiaçú com produção 30% superior aos demais cultivares de Pennisetum sp (capim elefante). Aos 30 dias de rebrota o Capiaçú produziu 21% a mais de matéria seca (7,35 toneladas de matéria seca por hectare); aos 90 dias de rebrotas o Capiaçú produziu 20,38% a mais de matéria seca por hectare (Napier: 34,14 toneladas de matéria seca por hectare; Capiaçú: 42,88 toneladas de matéria seca por hectare). Considerando o teor de proteína bruta semelhante entre Napier e Capiaçú e uma produção de matéria seca superior no capim Capiaçú, podemos inferir a produção de proteína bruta por hectare de ambos. Assim o aos 30 dias de rebrota o Capiaçú produziu 895,23 kg de proteína e o Napier 425,64 kg de proteína. Aos 90 dias o Capiaçú produziu 3.233,0 kg de proteína e o Napier 2.574,0 kg de proteína por hectare. Como citado na literatura os capins tiveram no mês de fevereiro uma infestação por cigarrinha que não necessitou de uso de controle para redução da população. As avaliações do desempenho do Napier e Capiaçú continuam.

O grupo Nefeps estará presente no Dia de Campo da Copagril (10 a 12 de janeiro de 2024) na área da Unioeste com as duas forrageiras, para que o produtor possa visualizar e comparar o desempenho do Napier e do Capiaçú e a inclusão de plantas de leguminosas forrageiras em consórcio com os 2 capins.

Plantas da área experimental com larvas de cigarrinha das pastagens (Mahanarva spectabilis ) (Fazenda Experimental Antônio Carlos dos Santos Pessoa – Unioeste, Marechal Cândido Rondon).
Avaliação dos capins aos 30 dias (Fazenda Experimental Antônio Carlos dos Santos Pessoa – Unioeste, Marechal Cândido Rondon).

Com assessoria

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