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Agronegócio

Leite: produtores do Paraná enfrentam crise com preços baixos

Importações e custos elevados pressionam a atividade e geram prejuízos no campo


calendar_month 17 de abril de 2026
3 min de leitura

O mercado do leite no Paraná ainda enfrenta dificuldades, principalmente em relação ao preço pago ao produtor. Uma das principais reclamações é a concorrência com o leite em pó importado, especialmente de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai.

O alto volume de importações, somado a uma produção nacional acima do consumo interno, tem pressionado os preços. Diante desse cenário, produtores pedem medidas emergenciais, como restrições às importações, para tentar manter a atividade.

“Os últimos dois anos realmente afunilaram. Tem milhares de produtores no Brasil que pararam, quebraram e não conseguiram continuar na atividade”, afirma o produtor Arlindo Uebel.

Na propriedade dele, no distrito de Espigão Azul, zona rural de Cascavel, 25 vacas produzem cerca de 500 litros de leite por dia. Mesmo assim, o resultado financeiro é negativo. No último ano, o custo médio por litro foi de R$ 2,82, enquanto o valor recebido ficou em R$ 2,62.

“Fechei com mais de R$ 60 mil de prejuízo, com uma receita de R$ 360 mil. Para um pequeno produtor, é difícil sustentar isso”, relata.

A atividade leiteira tem forte impacto na economia do Paraná, com produção anual superior a 4,5 bilhões de litros. Apesar disso, há um descompasso: o produtor reclama do valor recebido, enquanto o consumidor considera alto o preço no mercado.

Segundo a técnica do Sistema Faep, Nicolle Wilsek, a diferença está na cadeia produtiva. “O produtor recebe, em média, cerca de R$ 2 por litro, enquanto o consumidor paga entre R$ 6 e R$ 7 no varejo”, explica.

Fatores externos também influenciam o cenário, como conflitos internacionais e o aumento no preço do diesel, que elevam os custos de produção e transporte.

Para tentar conter os impactos, o governo do Paraná sancionou, em novembro, uma lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para consumo humano no estado. A medida busca fortalecer a produção local e aumentar a fiscalização.

Outro problema recente é o contrabando. Nesta semana, a Polícia Federal realizou buscas em uma empresa de Barracão, no sudoeste do estado, além de endereços em Santa Catarina e Cascavel. A investigação aponta a atuação de um grupo que importava leite em pó da Argentina, reembalava o produto e comercializava no Brasil.

Ninguém foi preso, mas materiais foram apreendidos para continuidade das investigações.

Apesar das medidas, especialistas avaliam que ainda são insuficientes. “O país continua batendo recordes de importação, o que acaba segurando o mercado e dificultando a circulação do produto nacional”, afirma Nicolle.

Atualmente, o preço médio pago ao produtor gira em torno de R$ 2 por litro, podendo variar conforme a qualidade do leite, como teor de gordura, proteína e padrões sanitários.

A expectativa é de melhora ao longo de 2026, com redução na oferta e possível recuperação nos preços. Ainda assim, o cenário segue desafiador para quem depende da atividade no campo.

Com Catve

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