Paulo Michelon, produtor de tilápias em Tupãssi, no oeste do Paraná, perdeu cerca de 900 mil kg de peixe após queda e oscilações no fornecimento de energia elétrica. Ele estima prejuízo de aproximadamente R$ 9 milhões, já que os animais estavam prontos para o abate.
A propriedade abriga cerca de 1,1 milhão de tilápias. “Um ano de trabalho, pendências em banco, financiamentos para pagar, tudo por água abaixo”, relatou. A maior parte das perdas ocorreu do dia 25 para o dia 26 de fevereiro, após uma ocorrência semelhante já ter sido registrada em janeiro.
Segundo o produtor, oscilações e interrupções no fornecimento de energia, incluindo subtensão (queda abaixo do nível nominal) e sobretensão (aumento acima do esperado), danificaram motores, geradores e painéis que controlam os seis tanques e garantem a segurança do sistema. “Queimou um monte de motores, o gerador não aguentou. Fizemos paliativo com oxigênio em pó, mas não foi suficiente”, afirmou.

Ele aponta que, com a queima da placa do gerador e falhas nos equipamentos, não foi possível substituir o fornecimento durante as quedas de energia, o que interrompeu a oxigenação da água e resultou na mortalidade dos peixes.
Funcionários trabalham na retirada dos peixes mortos para evitar a contaminação dos demais tanques, o que poderia ampliar ainda mais os danos. Michelon afirma que a situação compromete a continuidade da atividade. “A gente não consegue mais dormir, não consegue mais produzir. Está insustentável”, lamentou.

O produtor contratou uma perícia técnica e apresentou o laudo à Justiça. O documento aponta que a tensão elétrica fornecida estava abaixo do mínimo exigido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A energia deveria chegar a 220 volts, mas permaneceu abaixo desse patamar, além de registrar diversas interrupções em poucos dias.
O relatório aponta que as variações e quedas no fornecimento danificaram painéis e motores. Com a queima da placa do gerador, o sistema deixou de suprir as interrupções, o que comprometeu a oxigenação e resultou na morte de 90% a 95% da produção.
Michelon afirma que as falhas consecutivas começaram há mais de 30 dias, com parâmetros abaixo dos exigidos pelas resoluções da Aneel, e que registrou protocolos diários sem retorno efetivo. Segundo aponta, houve “diversas interrupções até agora, essas já foram demandadas judicialmente face a Copel.”

A decisão judicial concedida em liminar, o juiz Luiz Fernando Montini classifica as oscilações no fornecimento de energia no Paraná como “fato público e notório” e reforça a obrigação legal da concessionária de garantir serviço adequado, seguro e contínuo.
A justiça fixou prazo de 48 horas para comprovação da regularização, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 60 mil.
A Copel emitiu uma nota oficial sobre o caso. Confira:
“A Copel informa que a ação judicial tramita em segredo de justiça e que ainda não foi intimada da decisão mencionada. Assim que for oficialmente notificada, a companhia analisará o teor da determinação e adotará todas as providências cabíveis”.
Com Catve.com
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