Brincando na Praça 2019
Dom João Carlos Seneme

A bondade do Senhor é para sempre

 

Conhecer Deus, saber o seu nome, buscar o seu rosto é o sonho de todo aquele que crê. É um caminho de fé. Deus vai ao encontro do ser humano e o convida a viver a vida plena. Ele se preocupa verdadeiramente com o ser humano: intervém, reprova, adverte, consola; alcança o ser humano com a palavra, está presente na história humana. É alguém que pode ser encontrado. É o que nos revelam os textos da liturgia deste domingo.

Os israelitas experimentaram o amor de Deus na libertação do Egito. Deus agiu pessoalmente e os fez sair da escravidão.

Casa do Eletricista ESCAVAÇÕES

São Lucas hoje narra dois acontecimentos trágicos que marcaram a vida dos judeus no tempo de Jesus: alguns galileus que foram barbaramente assassinados enquanto ofereciam sacrifícios; o segundo se trata de um acidente de trabalho onde morreram algumas pessoas. A partir desses acontecimentos Jesus ensina sobre Deus e o ser humano.

Primeiramente afirma que aquelas mortes não foram provocadas por Deus. Elas não são consequências de uma punição por causa do pecado. Jesus aproveita destes acontecimentos para lançar um apelo à conversão: “Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo”! Aqui se trata de uma advertência: sem uma verdadeira mudança, o homem pode cair no abismo. Por isso somos convidados a uma maior vigilância sobre nós mesmos. Reconhecer a nossa fragilidade e ir ao encontro de Deus; somente Ele pode dar sentido à nossa vida.

No final do Evangelho, Jesus conta a parábola de uma figueira plantada em uma vinha que, depois de três anos, não produziu fruto e por isso deve ser arrancada. Mas com o pedido do agricultor lhe é concedida uma nova chance. Deus é paciente e acredita que podemos mudar, por isso sempre nos dá novas oportunidades para a conversão. Não se trata de mudanças periféricas, ou simples arrependimento dos pecados; trata-se de um convite à mudança radical, à reformulação total da vida, da mentalidade, das atitudes, colocando Deus em primeiro lugar. Não podemos adiar indefinidamente nossa decisão. O tempo é curto, por isso vamos aproveitá-lo e deixar que uma nova criatura nasça porque o que está em jogo é a nossa felicidade e o caminho para a vida plena que nos garantiu Jesus Cristo com sua morte e ressurreição.

“Eis que hoje estou colocando diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade. Se seguir os mandamentos do Senhor, viverás e te multiplicarás” (Dt 30,15). São palavras que demonstram o carinho que Deus tem pela sua criação e Ele dará o tempo necessário. A paciência que o Senhor mostra com figueira é a oportunidade de uma nova chance de produzir frutos para a vida eterna. A conversão do coração requer uma constante adesão de fé ao projeto divino da salvação. Oferecer outra oportunidade não é sinal de fraqueza, mas de amor. 

“Divino Espírito, ajuda-me a jamais me afastar do caminho de Deus; se algum dia isto acontecer, dá-me coragem suficiente para retomá-lo”.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

TOPO