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Tarcísio Vanderlinde

A contribuição franciscana para a Terra Santa

Um visitante sensível percebe que, para além dos interesses das agências turísticas, os diversos roteiros de viagem para a Terra Santa costumam se adequar às motivações espirituais de cada um. Independente da crença, muitos levam um tempo para reconhecer que alguns ambientes que acabaram entrando no itinerário dos grupos de visitantes só se preservaram pelo zelo de irmandades religiosas que vêm cuidando dos lugares, em alguns casos, por centenas de anos. A constatação nem sempre costuma ser vista com a isenção que merece.

Edward Robinson, considerado o primeiro geógrafo da Terra Santa, reconheceu as ruínas da Sinagoga de Cafarnaum em 1852. Charles Wilson, outro pesquisador famoso, realizou escavações pioneiras no local em 1865. As notícias correram o mundo. O local já fez parte inclusive do roteiro do imperador D. Pedro II, quando passou por ali no ano de 1876.

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A visita ao lugar que se tornou um ícone da Terra Santa, além de outros tantos, talvez só seja possível hoje, graças ao envolvimento da Custódia Franciscana da Terra Santa, que em 1894 adquiriu dos turcos (que dominavam a região) o local das ruínas às margens do mar da Galileia. Os franciscanos construíram no local um monastério, cobriram as ruínas e fizeram plantações sobre elas, a fim de mantê-las guardadas até que a situação política permitisse escavações seguras no local.

Nos anos de 1905 a 1926, uma antiga sinagoga foi escavada e parcialmente restaurada por grupos alemães e franciscanos. Veio à luz uma grande e bem ornamentada sinagoga de pedra calcária planejada como uma basílica retangular de 18 metros de largura por 24,5 metros de comprimento. A planta baixa consistia de uma nave central ladeada por corredores. Assentos de pedra estavam alinhados às paredes orientais e ocidentais.

A estrutura estava voltada para o Sul, na direção de Jerusalém. Durante vários anos, os estudiosos acreditaram que estas ruínas representavam a estrutura real em que Jesus tinha ensinado. Contudo, as escavações reiniciadas em 1968 revelaram os restos de uma outra estrutura mais antiga, em basalto negro com um planta baixa semelhante. As paredes de basalto não estavam alinhadas com as paredes de pedra calcária e portanto não poderiam ter servido como fundação.

Em 1981, um chão de paralelepípedos de basalto foi descoberto com cerâmicas do século I d.C., o que levou à conclusão sobre a existência de uma estrutura mais antiga, possivelmente o lugar mencionado pelo evangelista Marcos como sendo o lugar onde Jesus ensinava.   

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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