Arno Kunzler

A DIFÍCIL VOLTA AOS TRILHOS…

Em qualquer situação, seja nos governos, na política, nas empresas, nas famílias, na vida de uma pessoa, é sempre muito difícil retornar aos trilhos depois que o “trem” descarrilhou.

Se isso é difícil numa família ou numa empresa, imagina então num governo, quando perde a confiança dos próprios aliados (integrantes do próprio governo), a confiança externa e até o respeito da população.

Assim está o Brasil hoje… e aí precisamos incluir a contaminação do Congresso Nacional, que, ao longo dos últimos anos, foi “viciado” pelo aliciamento do governo.

Para um governo frágil politicamente e acusado de corrupção a todo instante, não há outra alternativa senão “comprar” apoios em troca de valores “impagáveis”, como credibilidade, confiança, honestidade e esperança.

São esses valores que sustentam eticamente e moralmente uma instituição. Quando se perde essa referência, não há mais o que fazer.

Tá difícil avançar no impeachment da presidente Dilma, tá, mas pior é manter esse governo por mais três anos.

É difícil imaginar um governo melhor do que esse comandado pelo PMDB, é. Mesmo assim, é melhor do que esperar mais três anos para elegermos um novo presidente.

O Brasil precisa de um novo governo, de uma nova proposta, comandado por alguém que consiga reunir o mínimo suficiente de apoios para não precisar entregar a “alma ao diabo”.

Um governo que possa promover mudanças nos rumos da política, da economia e, principalmente, que tenha condições políticas para cortar gastos desnecessários e inoportunos e diminuir privilégios.

Um governo que tenha condições de aumentar impostos, se isso for a única solução para equilibrar as contas públicas, sem ser acusado de “ladrão” e de “corrupto”, como acontece hoje.

A grande maioria dos brasileiros acham hoje que novos impostos são para aumentar a fatia do bolo da corrupção, não para solucionar problemas do país e nem para melhorar a vida das pessoas.

Numa situação dessas, com o povo reagindo nas ruas contra qualquer novo imposto, e desconfiado da seriedade de qualquer atitude do governo, não adianta mandar projetos para o Congresso; eles não serão aprovados, e se forem, serão aprovados pela farta distribuição de benesses a um grupo de deputados que são “vendáveis”. Daí, convenhamos, melhor não.

Vai ser difícil sair um governo sério e bom disso que estamos vendo, com ou sem impeachment, mas deixar um governo reconhecidamente derrotado pela sua própria incapacidade de governar, de ser honesto, de impor respeito, é uma impressionante perda de tempo e uma tolerância inaceitável.

Já que não teremos a renúncia coletiva como solução para o impasse da falta de credibilidade dos políticos eleitos nas últimas eleições, mesmo com tantos motivos para isso, algo precisa ser feito, nem que custe caro, mas que devolva o respeito e a seriedade às instituições.

Não é difícil e nem impossível sonhar com um governo melhor do que esse.

Mesmo não tendo esperança nenhuma nesses políticos, mudar já é uma vitória e faz bem, e parece que já passou da hora.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal

arno@opresente.com.br

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