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Elio Migliorança

A mãe de todas as reformas

Este é o momento das reformas. A reforma da Previdência andando, em debate a reforma tributária, mas o pacote anticrime encaminhado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, dorme esquecido em alguma gaveta na Câmara dos Deputados. No olho do furacão a indicação do filho do presidente para a embaixada nos Estados Unidos e o mundo está de olho no desmatamento da floresta amazônica, cujos reflexos são uma incógnita para todos nós, mas ele pode ser trágico para o futuro do agronegócio, pois o clima no Sul e Sudeste é regulado pela umidade que vem da Amazônia. Desmatou lá acaba a chuva aqui. Além disso, nossos maiores compradores, que são os países europeus e asiáticos, podem retaliar e suspender a compra de produtos do agronegócio nacional.

Quanto às reformas, elas são vitais. As últimas eleições foram o ponto de partida para uma mudança radical no jeito de fazer política, já que a renovação do Congresso Nacional foi histórica. As notícias vindas do Brasil central não são animadoras e as sonhadas mudanças podem ser frustrantes e revelar que a renovação do Congresso Nacional renovou nomes, mas não princípios, caráter e comprometimento com a ética. O último fato a levantar esta suspeita foi a aprovação a toque de caixa do projeto sobre abuso de autoridade. Enquanto isso, o pacote anticrime continua parado, assim como o projeto já aprovado no Senado e esquecido na Câmara que acaba com o foro privilegiado. Coisas que só interessam aos criminosos ou aos candidatos a futuros delinquentes.

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Notícias recentes informam que no primeiro semestre deste ano as despesas com viagens para o exterior de deputados e senadores tiveram um aumento de 82%. Estes e muitos outros fatos confirmam as suspeitas: precisamos de uma urgente reforma moral. É a mãe de todas as reformas. Os princípios que norteiam os poderes estão alicerçados na velha política, aquela do toma lá, dá cá, e o que está falando mais alto é a luta pelo benefício pessoal. Inclusive, o presidente da República tem dado um péssimo exemplo ao querer nomear o próprio filho como embaixador nos Estados Unidos, e com uma desastrosa declaração quando disse que se puder dar um filé mignon ao filho, ele o fará.

É bom que ele saiba que este filé mignon não lhe pertence, mas pertence aos milhões de eleitores que acreditaram na sua proposta e lhe entregaram o boi inteiro para que o reparta com todos os brasileiros. E não cabe aqui aquele discursinho manco de que o Brasil é assim porque os brasileiros cometem infrações, desrespeitam as normas e com isso criam a cultura da corrupção e impunidade.

Os pais devem primeiro dar exemplo aos filhos. A moral dos pais é que vai criar o caráter nos filhos. As autoridades devem dar exemplo primeiro, e isso vale para todas as esferas do poder. A política nacional só terá conserto se houver pressão popular e manifestações públicas condenando estas práticas danosas ao bem comum.

Os meios de comunicação, as redes sociais e as lideranças de todas as entidades de classe e religiosas espalhadas pelo país possuem um compromisso com nosso futuro. Ninguém deve omitir-se. Unidos somos fortes e podemos fazer a diferença. Cada um pense de que forma pode ajudar e dê o primeiro passo. Só assim poderemos entregar um Brasil melhor para a geração futura.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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