Copagril
Arno Kunzler

A oportunidade

Eu sei que muitas pessoas vão discordar do pensamento que vou expor.

Mas é esse o desafio do jornalista, levantar temas para serem amplamente debatidos e com esse debate as pessoas podem formar seu juízo.

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No próximo dia 15, Marechal Cândido Rondon e outros municípios mais uma vez ficarão sem deputado.

A eleição passada tirou nossos dois representantes da Assembleia Legislativa.

Também tirou Elio Lino Rusch (DEM) e Ademir Bier (PSD) do comando da política local.

E com a não eleição deles novas lideranças deverão surgir e falar em nome da cidade, defendendo os interesses da comunidade.

Não faço parte do grupo que acha que os nossos deputados nunca prestaram bom serviço ao município.

Mas também não ignoro que às vezes, por conta das picuinhas deles, nossas reivindicações foram travadas por pura teimosia e demonstração de força.

Sou um tanto suspeito para avaliar o trabalho que eles prestaram e certamente continuam prestando, até porque convivo com eles desde a década de 70, como militante dos movimentos estudantis ao lado de Elio Rusch. E logo em seguida como sócio do Clube Concórdia onde Ademir Bier timidamente ensaiou seus primeiros passos para a vida pública, na época na sombra do irmão vereador Ariovaldo.

Mas posso dizer que é visível o enfraquecimento de ambos no cenário político local. As decisões dos seus grupos políticos não passam mais pela sua aprovação ou não.

Ainda que eles detenham elevado número de votos, em qualquer circunstância eleitoral hoje são peças do tabuleiro e não mais a rainha que comanda o espetáculo.

Não é evidentemente e necessariamente o fim dos nossos dois políticos mais importantes no cenário estadual, que durante três décadas polarizaram disputas eletrizantes.

Porém, é um novo tempo, o tempo da verdade, em que aqueles que se julgaram deixados de lado podem se manifestar mais fortemente; em que as instituições não político-partidárias terão mais voz e deverão ocupar mais espaço nas decisões políticas.

É notório que entidades como a Copagril, Acimacar e outras terão forte influência e viverão novas experiências com posicionamentos mais decisivos.

Pessoas que não eram alinhadas politicamente serão mais ouvidas e poderão sair do anonimato para ocupar espaços destacados.

Vivemos um novo tempo, não necessariamente melhor ou pior, mas de reformulação do quadro representativo na esfera política.

Se vamos ser mais felizes…? Não sei, mas o importante é que todos estejam dispostos e prontos para viver esse novo momento, cada um ocupando seu espaço e oferecendo sua contribuição.

Não vamos melhorar fazendo as mesmas coisas.

Nem tampouco vamos piorar se continuarmos fazendo tudo igual.

Para uns pode ser o fim do caminho; para muitos pode ser o começo.

Para quem se sentia sufocado pode ser a libertação.

Para quem se sentia amparado pode ser incerteza.

Para quem sonha em ser alguém certamente é uma grande oportunidade.

 

O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente e Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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