Dom João Carlos Seneme

A Páscoa é a festa primordial que nos faz Igreja

A solenidade da Páscoa é a manifestação suprema da misericórdia de Deus pela humanidade: fomos resgatados pelo amor. Neste tempo de tantos desafios e incertezas, Deus abre o coração, restabelece o diálogo e refaz um caminho novo de vida para todos nós através da Ressurreição de Jesus. É um novo mundo que renasce, mesmo que tudo nos possa desanimar, a esperança é renovada: Jesus Cristo nos garantiu um lugar no paraíso. “Não tenhais medo. Sou eu, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre” (Ap 1,17-18).

Começamos a celebrar este grande dia na longa vigília do Sábado Santo, hoje (10). Nossa cidade e diocese foi iluminada pela luz de Cristo. Através da palavra de Deus fomos refazendo, passo a passo, a história da salvação, a presença de Deus acompanhando os passos humanidade e realizando sua vontade através de tantas pessoas e finalmente por meio de seu filho Jesus Cristo.

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No evangelho deste domingo (12) podemos perceber que o encontro com o Ressuscitado não se dá de forma espontânea e natural. Ele acontece no meio das incertezas, medo, dúvidas. Maria Madalena vai ao sepulcro no meio da noite, é escuro ainda, fora e dentro dela, e não entende nada quando encontra o sepulcro vazio. Não consegue imaginar que a vida venceu a morte, que Jesus Ressuscitou. Ela se sente perdida e corre para a comunidade; é ali que vai fazer a experiência da ressurreição junto com os outros. Todos eles precisarão mudar o modo de ver Jesus, que vai interferir na visão que têm do mundo, da religião. Maria Madalena é movida pelo amor ao Mestre e o busca com todas as suas forças. Ele será encontrado não no mundo dos mortos. Aquele que vive deve ser buscado onde há vida.

A vida cristã nasceu no dia da Páscoa do Senhor, por isso Domingo se tornou o Dia do Senhor. Todos os domingos a Igreja nos recorda que a ressurreição de Jesus é o ponto central de nossa vida cristã.

Tudo o que existe é penetrado pela energia vital do Ressuscitado; nossa vida é impulsionada até sua plenitude final, mesmo quando não conseguimos ver, sentir, a força do Ressuscitado está ali nos ajudando a caminhar, a criar um mundo novo. Por isso, ao celebrar a Páscoa no meio de uma pandemia nos ajuda a acreditar que não estamos sozinhos; o Ressuscitado está no meio de nós. Nós devemos porque um Espírito novo está dentro de cada um de nós.

O Ressuscitado está conosco, no meio de nossas fragilidades, sustentando para sempre a esperança, a bondade que renasce em cada um de nós como promessa que nos conduz ao infinito e nos garante que não morreremos jamais. O dom maior do Ressuscitado é a paz: “a paz esteja com vocês”, disse Jesus aos seus apóstolos. Ele acompanha as nossas dores e tristezas consolando de modo permanente e misterioso. Ele está presente em nossos fracassos e impotência como força segura que nos defende. Ele está em nossos pecados como misericórdia que nos suporta com paciência infinita e nos compreende e acolhe até o fim.  Ele está inclusive no momento de nossa morte como vida que triunfa quando tudo parece extinguir-se.

A Páscoa é a festa da vida. A festa de todos que se reconhecem mortais, mas que descobrem no Cristo Ressuscitado a esperança de uma vida eterna.

Felizes aqueles que na manhã da Páscoa deixam entrar em seus corações as palavras de Cristo: “Tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo” (Jo 16,33). Feliz e Santa Ressurreição a todos!

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

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