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Editorial

A piada de mau gosto dos ministros

Que bom seria, trabalhador, se você pudesse aumentar o próprio salário. Melhor ainda, se você pudesse aumentar o seu e de todos seus colegas. Melhor ainda. Você poderia aumentar seu salário de R$ 33.763 para R$ 39.293,32. Pois é! Longe da sua realidade, né? Nem tão longe assim, pois quem paga esse salário é você, e todos os brasileiros.

A proposta dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em reajustar seus salários em 16,38% é uma afronta à sociedade brasileira. Estima-se que os gastos vão passar de R$ 4 bilhões a mais por ano. Isso porque o salário dos ministros é o teto do funcionalismo público pago no Brasil.

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Com a elevação, milhares de servidores em todo o país – Poder Judiciário (esfera federal), Ministério Público, Executivo e Legislativo federais, Defensoria Pública da União, servidores dos Estados – poderiam passar a ganhar essa grana toda.

E o cenário não poderia ser pior para que eles pleiteassem tal aumento. O Brasil tem quase 14 milhões de desempregados e outros tantos em subempregos e bicos, passa por uma crise sem precedentes e tem, para o ano que vem, um déficit fiscal estimado em R$ 139 bilhões. Ou seja, vai gastar muito mais do que arrecadar. Mesmo assim, os ministros entendem que merecem esse aumento singelo de quase R$ 6 mil. Em alegação contrária, eles mencionam perdas inflacionárias para barganhar essa bolada.

Vai falar de perdas inflacionárias para o trabalhador de chão de fábrica, que ganha R$ 20 ou R$ 30 de aumento por ano. Vai falar em perda inflacionária para o pai e para a mãe de família, que juntos arrecadam trocados em empregos esporádicos sem carteira assinada. Vai falar sobre R$ 40 mil para quem não ganha isso nem em 40 meses.

Os reajustes salariais são justos em todas as classes, inclusive para aquelas que ganham pequenas fortunas todos os meses, mas o que se propõe nesse momento delicado que o Brasil experimenta não é um reajuste, é uma sacanagem. Os mais ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

O Brasil gasta praticamente a metade do que arrecada com os servidores públicos. Em alguns Estados e municípios, esses gastos consomem até mais de 50% de todo o dinheiro que entra. Além de protegidos pela estabilidade, ao contrário dos trabalhadores da iniciativa privada, que podem ser dispensados a qualquer sinal de crise, ganham salários notadamente superiores. Por conta disso tudo, ainda descontando a corrupção, sobra muito pouco para o que realmente interessa: saúde, educação, segurança, infraestrutura.

Essa é a tal da democracia imposta pelos três poderes no Brasil. Trabalhem quem é bronze para pagar quem é ouro. Do alto de seus pedestais, os ditadores do poder reagem sistematicamente para defender seus direitos, ampliar seus lucros, arrombar com a economia e com as contas públicas. Fazem sem dó nem piedade, olhando exclusivamente seus umbigos, mesmo que para isso tenham que promover leis visivelmente irresponsáveis. Que lástima!

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