Dom João Carlos Seneme

“A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”

Há vários domingos estamos acompanhando Jesus e os seus discípulos em missão, ensinando nas sinagogas, encontrando pessoas em público, revelando sinais do Reino de Deus. As reações são mais diversas e a intenção do narrador do Evangelho é despertar a fé nos ouvintes daquele tempo e em cada um de nós hoje.

O capítulo sexto do Evangelho de São João trata do discurso sobre o pão da vida que é o próprio Jesus. Naquele tempo, muitos reagiram mal e não aceitaram o jeito de ser de Jesus, sua proposta, principalmente, o caminho da cruz que Jesus faz questão de apontar. Jesus revela que vem do céu e traz uma proposta de salvação à humanidade que precisa aderir a Ele para tomar parte da salvação.

Hoje Jesus se depara com reação dos que estão mais próximos. Muitos discípulos voltaram atrás, não tiveram a coragem de aceitar a proposta de Jesus. Diante disso, Jesus pergunta aos Doze se eles também querem deixá-lo. Simão Pedro faz então sua profissão de fé. Esta leitura nos mostra que o caminho do seguimento do Senhor, participar da sua Igreja, vai exigir fidelidade e coragem, pois são muitas as tentações de voltar atrás devido à necessidade de conversão. Precisamos diariamente renovar nossa fé no “pão descido do céu”, assumir com Ele o caminho da cruz que nos conduzirá à ressurreição. A maturidade de nossa fé é alcançada quando afirmamos com São Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

O texto do Evangelho de hoje é situado no fim do século I quando a comunidade cristã era discriminada e perseguida. Por isso muitos desistiam, mas também muitos permaneciam lutando e até morrendo pela fé.

O sinal do pão e o discurso sobre o pão da vida em que Jesus proclamou que estava entregando sua carne como alimento para a vida do mundo, conduzia a um compromisso de adesão pela fé ou de rejeição do Messias, enviado de Deus. Ficar com Ele indicava que deveriam seguir seus passos em todos os momentos, inclusive até a cruz. Nós já sabemos o desfecho e que, foi somente a partir da experiência do Ressuscitado, que sua comunidade renasce sob a ação do Espírito Santo e os discípulos se tornam ardorosos anunciadores da missão de Jesus.

No Evangelho de hoje os Doze Apóstolos que permaneceram com Jesus e, através de Pedro, afirmaram a sua fé n’Ele, estão convencidos de que somente Ele tem palavras de vida eterna. Eles representam todos os que estão dispostos a dedicar a vida ao serviço do Reino de Deus. Eles ensinam a viver a verdadeira fé, que consiste em uma relação existencial com o Senhor que leva a construir relação novas de justiça e fraternidade entre todos.

O Papa Francisco nos convida a viver ao redor da Palavra de Deus. Nosso contato com ela não pode ficar restrito ao momento da missa, devemos buscar o alimento que ela nos dá sempre: em nossas casas, nos grupos de família, nos momentos de oração pessoal. A evangelização está fundada sobre a Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. Aí está o desafio para todos nós que somos Igreja: é indispensável que a Palavra de Deus se torne cada vez mais o coração de toda atividade eclesial (cf. Evangelii Gaudium, nº 174).

Neste quarto domingo celebramos a vocação de todos os leigos e leigas que, entre família e afazeres, dedicam-se aos trabalhos pastorais e também missionários, conscientes do chamado de Deus a participar ativamente da Igreja. Eles são fiéis colaboradores dos sacerdotes na catequese, na liturgia, nos ministérios de música, nas obras de caridade e nas diversas pastorais existentes. Por isso, deixamos aqui um grande agradecimento a todos que fazem de nosso Diocese um espaço de evangelização e de encontro com Deus buscando um mundo melhor para todos.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

 

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