Elio Migliorança

A SABEDORIA POPULAR

Enquanto os estrategistas governamentais pagos para pensar projetos para melhorar o Brasil do futuro na verdade ficam planejando ações para eternizar os governantes no poder, nas ruas do Brasil colhemos entre a população brilhantes ideias que, se concretizadas, fariam um Brasil melhor para todos. Como exemplo, o tema da semana que colocou o Oeste do Paraná em destaque e que foi aplaudido por todos: a inauguração da usina hidrelétrica da Cercar, construída sobre o Arroio Guaçu e que teve neste diário ampla e merecida cobertura.

Diretoria e associados da Cercar merecem elogios pelo empreendimento realizado e destaque especial à teimosa persistência de seus diretores, que não desanimaram diante dos entraves burocráticos e leis anacrônicas associadas à má vontade de alguns órgãos governamentais, que demoraram dez longos anos até que a documentação necessária fosse liberada, para que a obra pudesse ser construída. E a construção demorou apenas dois anos e meio. Muito tempo perdido nos gabinetes dos burocratas e muita energia deixou de ser produzida por conta da imbecilidade daqueles que dificultaram a liberação dos projetos. O país enfrenta uma crise energética e o governo, que é incompetente para fornecer energia em quantidade e a preços razoáveis, devia agradecer a iniciativa dos que se propõem a encarar um projeto desta envergadura.

A raiz do mal está no monopólio que o governo possui da energia. Além de cobrar caro, não consegue acompanhar o crescimento do país expandindo a produção de energia construindo novas usinas. Com isso todos perdemos, porque a energia está na base de todo o sistema produtivo. Há muitas sugestões e ideias para resolver o problema energético. O leitor Eduardo Neuberger apresentou análises e sugestões interessantes: “Ao invés de sacar recursos da Itaipu para pagar descontos de energia elétrica, o governo deveria utilizar estes recursos para ampliar as fontes geradoras de energia elétrica, mesmo que fosse para subsidiar o investimento da iniciativa privada, não importa o tamanho. No começo do ano passado meu vizinho fez uma viagem para a Argentina. Na volta ele contou que a região visitada era bastante pobre, mas que ficou encantado ao ver que em praticamente todos os casebres havia placas de geração de energia elétrica por captação solar. Tá aí uma ótima ideia de projeto que o governo brasileiro poderia subsidiar. Ao invés de gastar bilhões na construção de uma gigantesca usina, apoie investimentos pequenos, mas de geração imediata de energia. Se uma casa consome menos durante o dia, esta energia excedente pode alimentar a rede elétrica. Se uma casa pode contribuir redirecionando o que produz além do seu consumo para a rede pública, quanta energia pode ser produzida se o projeto contemplar o telhado de milhões de casas no Brasil? Ao que parece, falta gestão com projetos inteligentes. Temos governantes interessados apenas no resultado destas ou daquelas eleições”.

Como se vê, ideias não faltam, mas enquanto tivermos burocracia sobrando e agentes públicos criando dificuldades para vender facilidades, e demorarmos dez anos para autorizar um projeto inteligente, continuaremos na vanguarda do atraso.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

 

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