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Tarcísio Vanderlinde

A temporalidade se revela no deserto

Saímos cedo da cidade de Eilat, no extremo Sul de Israel, com a intenção de chegar a Jerusalém antes do anoitecer. Logo na saída de Eilat fomos informados de que seguiríamos em direção ao Norte, viajando muito próximos à fronteira com a Jordânia, a antiga Edom. O objetivo imediato era Timna, um parque nacional ancorado no deserto do Neguev. Ao entrarmos no deserto sentimos que de fato estávamos na Terra Santa.

Timna é considerada uma das regiões mais belas de Israel. Forma um vale circular apresentando diversas formações rochosas em uma grande variedade geológica, onde se destaca o cobre. Uma formação curiosa a ser visitada em Timna são os “Pilares de Salomão”, alusão às minas de cobre do rei que ficavam na região. Contudo, as minas também foram exploradas pelos egípcios, que no século 14 a. C. estabeleceram uma rota de comércio pelo Vale de Timna. Além dos egípcios, outros povos mencionados na Bíblia, como os amalequitas e os midianitas, igualmente exploraram as ricas minas de cobre de Timna.

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O lugar fica aproximadamente 30 quilômetros de Eilat e é visitado por pessoas procedentes de várias partes do mundo. É considerada uma região de alto valor arqueológico e acredita-se que em algum lugar naquelas paragens os israelitas teriam ficado acampados em torno da Tenda da Revelação, ou o Tabernáculo, uma espécie de templo móvel que antecedeu o primeiro Templo de Jerusalém edificado à época de Salomão.

As normas de construção e uso desta Tenda foram reveladas a Moisés quando juntamente com o povo se encontrava ainda na região do monte Sinai. Detalhes sobre a construção, materiais utilizados e a responsabilidade de cada uma das 12 tribos de Israel com relação à Tenda podem ser encontrados principalmente nos livros de Êxodo, Levítico e Números. No entanto, existem muitas outras passagens bíblicas que fazem referência ao “protótipo” do que seria mais tarde o Templo de Jerusalém.

A réplica do Tabernáculo encontrada em Timna foi uma iniciativa da Convenção Batista do Sul do Estados Unidos e visa difundir princípios espirituais relacionados ao assunto. O local escolhido para a construção da réplica dá uma impressão muito real do que poderia ter sido aquele lugar nos tempos de Moisés e Josué.

Entre os materiais utilizados para edificação se destacam a madeira de acácia, ouro, prata, cobre e linho. A acácia cresce no deserto e é uma madeira muito dura, que, revestida em ouro, servia para determinadas peças do Tabernáculo. A Arca da Aliança, por exemplo, que ficava no lugar Santíssimo da Tenda, era totalmente feita de acácia e revestida em ouro.

Uma das peças mais mencionadas depois da Arca da Aliança é o candelabro de sete lâmpadas feito de uma única peça de ouro e que iluminava o lugar Santo do Tabernáculo. Neste lugar ainda ficava o Altar do Incenso e a Mesa dos Pães.

Visitar o Tabernáculo, ainda que em forma de réplica, foi um bom começo da nossa tão sonhada peregrinação à Terra Santa. Uma tenda costuma nos dar a imagem do provisório, do temporário, situação que naquele momento apontava de imediato para a nossa condição de passagem por aquele lugar. A temporalidade indicada pela Tenda carrega um sentido transcendental, na medida que aponta para a nossa fugaz existência neste planeta.

 

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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