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A Torre de Babel

Estamos no olho do furacão, com uma devastadora onda invisível espalhando um poderoso inimigo com alto poder letal, causando espanto, dor e incredulidade, e deixando sua marca mortífera por onde passa.

A humanidade estarrecida parece não acreditar no que vê. Com tanta ciência, quando parece que rompemos todas as barreiras do conhecimento, de repente somos imobilizados por uma criatura aparentemente desprezível, que só com poderosos microscópios pode ser vista, tão pequena e tão letal.

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O que parece inédito, descobrimos que é a repetição de uma tragédia já vivida ao longo da história. Parece que a história é um círculo, completamos uma volta e começamos tudo de novo.

Quando os europeus chegaram às Américas entre os séculos XV e XVI trouxeram doenças que em pouco tempo atingiram quase toda a população, pois os nativos não possuíam anticorpos, já que eram doenças inexistentes por aqui. Eles trouxeram a gripe, varíola, sarampo, caxumba, tuberculose, tifo entre outras. Através dos barcos vindos da África também chegaram a malária, a dengue e a febre amarela. Estima-se que mais de 80% da população indígena tenha morrido após os primeiros contatos com os europeus em razão do contágio dessas doenças. Isso resultou na morte de milhares de índios em poucas semanas, o que causou a desestruturação de muitas tribos, como ocorreu entre os incas na época da conquista, dificultando a organização para lutar contra os invasores.

Dentro deste contexto, olhando ao redor, constatamos que a reação das pessoas é infinitamente diferente dos indígenas 500 anos atrás. Agora as comunicações andam à velocidade da luz e surgiram tantos especialistas e palpiteiros que o mundo se transformou numa verdadeira Torre de Babel.

A Torre de Babel teria sido construída pelos descendentes de Noé na época em que o mundo falava apenas uma língua. O objetivo era chegar até Deus. Como castigo à soberba humana, um vendaval destruiu parte da Torre e Deus lhes confundiu as línguas de modo que não mais se entenderam, espalhando-se pelo mundo e cada um falando outra língua, donde teriam surgido as diferentes línguas no mundo. 

Estamos vivendo um tempo semelhante ao daquela época. Parece que a situação confundiu o cérebro de muitas pessoas e há muitas controvérsias, contradições e disputas entre pessoas e autoridades. Alguns querendo impor seu ponto de vista, outros querendo tirar proveito político ou financeiro da situação e ainda um batalhão de ignorantes que num passe de mágica se transformaram em especialistas em pandemias e distribuem palpites e achismos aos quatro ventos, compartilham milhares de fake news ajudando a confundir e piorar a já conturbada vida comunitária.

O melhor a fazer é seguir as orientações dos profissionais da saúde e respeitar as normas de segurança estabelecidas pelas autoridades, pois governar num período assim é enfrentar uma guerra: nada fácil.

Seja comedido ao emitir opiniões e ao se deparar com um ignorante, melhor não perder seu tempo. Não seja egoísta e exercite a caridade. Muitas pessoas dependem de um gesto ou de um apoio. Seja você a mão estendida que pode salvar vidas. Minha homenagem sincera a todos os profissionais que se dedicaram e se arriscaram pela segurança, saúde e alimentação dos demais. Deus seja generoso ao recompensá-los.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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