Copagril
Pastor Mário Hort

A travessia da Amazônia para o paraíso – 3ª parte

 

Em 1974, quando o Exército brasileiro abria a rodovia Santarém-Cuiabá, foi realizado o primeiro culto na Amazônia e eu tive o privilégio de pregar o primeiro sermão de nossa missão na Amazônia no Km 40, numa escola coberta de palha, à beira da rodovia. Em Itaituba (PA), eu tive o privilégio de orar com a senhora Paixão, quando ela aceitou passar pelo “portal” e começou sua jornada pela “Amazônia para o paraíso”. Em homenagem à primeira membra de nossa missão foi colocada uma placa em seu sítio com o dizer: “Aqui foi plantada a primeira semente da Igreja…”.

Vinte e cinco anos mais tarde reencontrei a senhora em sua “travessia pela Amazônia” com Jesus.

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Um pirarucu de 54 quilos

Durante a celebração dos 25 anos da Mão Cooperadora, a obra assistencial, tive o privilégio de participar da cerimônia das bodas de prata. Na ocasião, fomos autorizados a pescar o maior pirarucu que conseguíssemos no açude da missão. O motorista do ônibus fisgou um pirarucu de 54 quilos.

A “travessia da Amazônia para o paraíso é difícil”? Com certeza. O colega pastor Oreste Greiner e sua esposa Marlene iniciaram nossa missão em Ananindeua, onde estou escrevendo e suas ferramentas iniciais foram: um facão, uma bola e uma bíblia.

O colega e sua esposa disseram que essa foi a prova mais difícil de sua vida missionária. Desbravar o trabalho em Itaituba foi difícil, mas receber o presente da Missão Wycliffe, de uma área, de vários terrenos abandonados, fez o casal chorar amargamente. O pastor roçou o terreno baldio, abriu um campinho de futebol e jogou bola com os meninos da periferia para tentar fazer deles homens, para que entrassem pelo “portal para o paraíso” e logo enfrentassem a “travessia da Amazônia da vida para o paraíso”.

 

Mortes na travessia da Amazônia

Os 40 anos de travessia da Amazônia, literalmente falando, foram de esforços e altos preços para os desbravadores e custou a vida de dois colegas pastores, que deixamos no solo amazônico e foram levados pelos anjos de Deus ao paraíso. (Luc. 16:19-31)

Rudi Kunkel, colega pastor amado tentou a travessia do Rio Tapajós a nado. Ele desejava ser o primeiro a nadar 1,8 mil metros. Alguns minutos antes da chegada, sua esposa lhe perguntou: “Rudi, você quer entrar no barco”? Ele fez sinal que não, mas no mesmo instante afundou no Rio Tapajós e foi achado 24 horas mais tarde. Na travessia da Amazônia ao paraíso, num piscar de olhos podemos chegar ao paraíso eterno. Isso pode acontecer nas águas do Rio Tapajós, em algum igarapé ou em nossa cama.

É preciso estar pronto para a chegada, a qualquer hora do dia ou da noite.

O colega pastor Edgar Henke várias vezes esteve enfermo. Certa noite ele me telefonou e disse: “Mário, estou com o herpes” (vírus varicela-zoster incurável na época.) Anunciei a enfermidade pelo rádio, pedi que os ouvintes intercedessem pelo colega. Minutos após o anúncio, no culto pela rádio chegou um irmão que disse todo afoito: “Eu achei uma vacina para a enfermidade que deve ser enviada do Rio de Janeiro a Itaituba”. Poucos dias mais tarde, a vacina estava em Itaituba e o colega foi curado.

Anos mais tarde, Edgar estava internado por 11 dias em Belém (PA). Novamente apelou por nossa oração. Comuniquei a enfermidade pelo rádio e no dia seguinte a febre acabou. Mas, então Edgar foi chamado para entrar pelo portal para o paraíso eterno, onde ele aguarda a nossa chegada.

 

Mário Hort, o autor é pastor da Igreja de Deus no Brasil em Marechal Cândido Rondon

ecosdaliberdade@yahoo.com.br

 

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