Copagril
Silvana Nardello Nasihgil

A vida e os comportamentos humanos

 

Muitas coisas têm me levado a refletir sobre a vida e os comportamentos humanos. Talvez por trabalhar com a subjetividade humana eu preste mais atenção nas pessoas e nas interações sociais.

Não é difícil perceber como as pessoas vêm se tornando individualistas, como têm buscado satisfazer suas necessidades a qualquer preço. Nessa busca sem muita direção, com projetos sem consistência, naquela ideia de que eu preciso ter, uma grande maioria está se esquecendo de ser. E então, aqui entra um elemento desastroso que vem da própria natureza humana e que quando não controlado pode levar o ser a encontrar o pior de si. Falo da inveja. Um sentimento dos piores, porque ele tem o poder de fazer sofrer o invejoso e igualmente a quem é direcionada a inveja.

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Já vi gente se despedaçar sendo vítima desse sentimento tão infame e destruidor. Já presenciei sofrimentos complexos daqueles que sequer concorriam com a “maldade” humana. Já vi tantas coisas ligadas à inveja que achei por bem falar a respeito.

Convido você a fazer uma reflexão íntima para olhar aquilo que muitas vezes se está sentindo sem perceber. Olhar para as suas atitudes para com os outros, os pensamentos, aquilo que guarda lá no cantinho do seu ser, que pode muito bem ser nominado como inveja e se tenta maquiar e desconsiderar.

Convido você a prestar atenção nos seus sentimentos, naqueles pequenos insights em que a vida passa como um flash e os sentimentos ficam embaralhados, em que o foco no outro faz com que se perca o foco em si.

Convido você a fazer essa reflexão porque um ser humano que olha para os outros buscando diminuí-lo, encontrando defeitos inexistentes, maldizendo atitudes, criticando a vida confortável, a beleza, as relações, o sucesso, a condição financeira, a família, amizades, é um ser humano desprezível, porque enquanto busca defeito na vida dos outros está esquecendo de olhar para si.

Fica fácil perceber que hoje temos um grande alimentador desse sentimento infame: as redes sociais. É muito claro que elas são o maior canal que fomenta a inveja. As pessoas perderam o senso dos limites e tudo aquilo que fazem precisa ser compartilhado. São tantos absurdos, tantos espaços que as pessoas permitem nas suas vidas, e a inveja é convidada a entrar, encontrando o terreno mais fértil possível para proliferar.

Ser comedido na hora de divulgar a própria vida, como também os sentimentos e emoções, fechará muitas portas para que a inveja seja impedida de entrar. Será de grande valia para paralisar gente que se alimenta negativamente das coisas boas que enxergam nos outros.

Dentro desse sentimento destrutivo, precisamos começar por nós, fazer uma varredura nos sentimentos negativos, excluir tudo aquilo que possa atingir os outros, mesmo que eles nunca venham saber, e colocarmos um olhar diferenciado, um olhar em que procuremos buscar as coisas positivas, aquilo de melhor que o outro possui.

Não dá pra aceitar que as pessoas não tenham algo de bom. Isso não procede! Talvez o que temos de ruim nos impede de enxergarmos as qualidades do outro.

Então, precisamos saber que um coração onde habita a inveja está paralisado. Encontrará dificuldades de ir adiante, de crescer e de ser digno. Um coração onde habita a inveja dificilmente será amado, porque a inveja faz o movimento inverso do amor.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

 

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