Gustavo Pedroso

A vida foi em frente, seus investimentos foram?

Ao procurar no dicionário o significado de “inércia”, vemos que se trata da resistência de um corpo ao movimento ou ao repouso. Outra definição é a falta de movimento ou de atividade. De um ponto de vista mais comportamental, entramos em inércia quando não mudamos, quando não evoluímos, quando continuamos fazendo as mesmas coisas, agindo da mesma forma e, por consequência, tendo sempre os mesmos resultados.

Trazendo o conceito para o mundo dos investimentos, podemos dizer que no Brasil, atualmente, há mais de R$ 943 bilhões (dados do Banco Central de junho de 2020) em total estado de inércia. Onde? Estacionados na caderneta de poupança, a queridinha dos brasileiros. Em meu artigo anterior, descrevi os principais motivos que levam a este cenário. Agora, pretendo mostrar como começar a sair deste comodismo, almejar mais e passar a ganhar mais, com a mesma segurança, visando a construção de patrimônio a longo prazo.

Casa do Eletricista – Clorador Agosto

O recado aqui é: se você pode ganhar mais com o mesmo risco e o mesmo trabalho, por que não fazer?

No cenário atual, quando comparamos a poupança com a aplicação mais segura que existe no Brasil, o Tesouro Selic (título público federal que tem sua rentabilidade atrelada à taxa Selic), é bem verdade que, por conta da taxa de custódia e do imposto de renda, a rentabilidade do Tesouro Selic supera a poupança somente em prazos de aplicação acima de um ano. Todavia, é importante lembrar que a poupança só remunera as aplicações nas datas de aniversário mensal, enquanto os demais produtos financeiros comparáveis a ela têm rentabilidade diária. Portanto, quando consideramos prazos “quebrados”, ou seja, antes de a poupança completar os aniversários mensais, o Tesouro Selic continua sendo mais vantajoso do que a poupança.

Agora, ainda mantendo o conservadorismo e prezando pela liquidez e segurança, podemos ir um pouco mais além do Tesouro Selic. Em uma pesquisa rápida na internet, facilmente encontramos CDBs (Certificado de Depósito Bancário) de liquidez (e rentabilidade) diária remunerando as aplicações a taxas que variam de 100% a 110% do CDI. Só isso já representaria um ganho bruto de 37% a 51% sobre a poupança. Um detalhe importante: você geralmente encontrará estes produtos fora dos grandes bancos de varejo, mas ainda assim em instituições financeiras sólidas, como bancos de investimento, por exemplo.

O fato é que a economia brasileira mudou completamente nos últimos cinco anos. Saímos de uma taxa Selic de 14,25% em 2015 para 2,25% em 2020. Trazendo para números, R$ 100 mil aplicados na poupança geravam, em 2015, R$ 6.167,78 após 12 meses, já livres de taxas e imposto de renda. Hoje, os mesmos R$ 100 mil rendem apenas R$ 1.575,00, uma redução na rentabilidade da ordem de 74,5%.

E se o país mudou tanto em tão pouco tempo, é lógico que você também precisa mudar a forma como trata seus investimentos. Por que não se aproveitar do poder dos juros compostos de forma eficiente para acelerar seu processo de criação de riqueza? Com inteligência financeira é possível antecipar a tão sonhada liberdade financeira e tudo o que dela deriva, como ter mais tempo, mais possibilidades de escolhas, realizar sonhos (materiais ou não), ter mais segurança e tranquilidade, e porque não dizer, aproveitar oportunidades acessíveis a quem tem capital disponível.

Mas como começar a implementar essa transformação na prática?

O primeiro passo para sair da inércia financeira é entender e aceitar que os melhores produtos de investimento não estão nos grandes bancos comerciais e de varejo. Por isso, é de suma importância que você, pelo celular ou computador, do conforto da sua casa e com o esforço de, no máximo, tenha em mãos um comprovante de residência e um documento com foto, abra uma conta em um banco de investimentos ou em uma corretora de valores. Em 15 minutos você conclui o processo e passa a ter acesso, sem taxas, a uma enorme variedade de instituições “disputando” sua atenção, seu tempo e seu dinheiro, o que naturalmente resulta na oferta de produtos de melhor qualidade e rentabilidade.

Outro passo muito importante nesse processo é se conscientizar de que não existe “almoço grátis”. No cenário econômico atual, de taxas de juros em patamares tão baixos como jamais vistos, há basicamente duas formas de se conseguir melhores rentabilidades: renunciando à liquidez ou assumindo mais risco. Lembrando que liquidez não se trata somente de resgatar seu dinheiro rapidamente, mas também de resgatá-lo sem risco de perder um valor significativo. Falaremos mais detalhadamente sobre as variáveis que interferem nas decisões de investimento em outro momento. Por hora, saiba que, nos investimentos, a liquidez é inversamente proporcional tanto à rentabilidade quanto ao risco. Em outras palavras, para buscar maior rentabilidade, em geral, você precisa renunciar ao recurso por mais tempo e/ou assumir mais risco.

Como um terceiro passo da jornada de transformação como investidor(a), seja você um iniciante no caminho de acumulação de riqueza ou alguém que já tem um patrimônio conquistado, sugiro que procure se cercar de um especialista em investimentos – caso você não seja um. Assim como um empresário busca um contador para fazer seu imposto de renda ou cuidar da contabilidade da sua empresa, ou da mesma forma que um agricultor demanda a assistência de um engenheiro agrônomo para ajudá-lo a conduzir sua lavoura, as instituições financeiras também dispõem de profissionais de investimentos habilitados a lhe auxiliar. Boa parte dos investidores acredita que precisam pagar para ter esse tipo de assistência ou que é necessário ter um alto valor em aplicações financeiras para ter direito a esse serviço. Mas o que pouca gente sabe é que esses especialistas são remunerados, em sua maior parte, pela própria instituição financeira. Na prática, significa que você não terá nenhum custo a mais para ter a ajuda deste profissional. Cada instituição é especializada no atendimento a um determinado perfil de investidor, e tenho certeza de que você encontrará uma que te agrade.

O mundo mudou. O Brasil mudou. A economia mudou. Sua forma de pensar e agir sobre investimentos também precisa mudar. Caso contrário, você corre um sério risco de “deixar muito dinheiro na mesa”, e lá adiante – parafraseando Delcio Carvalho – se dar conta de que “a vida foi em frente e você simplesmente não viu que ficou pra trás”.

 

Gustavo Pedroso é economista, investidor profissional e assessor de investimentos com atuação em Curitiba, Marechal Cândido Rondon e região Oeste do Paraná

gustavo.pedroso@cordierinvestimentos.com.br

 

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