Copagril – Sou agro com orgulho
Silvana Nardello Nasihgil

A vida precisa ser olhada como ela realmente é

Existe um sentimento que acompanha muitas pessoas, sentimento esse que quase todos já experimentamos, nem que tenha sido em um breve lampejo: a triste ideia de desejar caber em vidas onde não existem espaços.

Quanta dor é alimentada, quanto sofrer sem clareza, quanta bagunça emocional, onde tudo se confunde, embaça e torna a vida insuportável de continuar.

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Baseado em sentimentos de rejeição, os sentimentos desbotam, se deformam, abstraindo todas as esperanças, e o que resta se mantém focado nas expectativas criadas através de fantasias unilaterais. Esses sentimentos, na maioria das vezes, são movidos pelas faltas que existem dentro de nós e que não somos capazes de identificá-las. E nesse jeito de enxergar as relações estão as cobranças para que o outro tenha reciprocidade com algo que muitas vezes diz respeito só a quem imagina a relação. Muitas vezes o outro está de passagem, buscando tempo para conhecer e é atropelado pela ansiedade de quem já tem como certa uma história, e que talvez nem tenha possibilidade de existir no mundo dos fatos reais.

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Não tem culpa do outro, tem falta de saber mais de si, de colocar um pouco de razão nas relações, das carências que vêm se arrastando ao longo da vida, de histórias pessoais nunca resolvidas e de acreditar que as relações se formam e se baseiam na perfeição do imaginário individual.

Nesse processo, um simples sorriso pode indicar um desejo a mais, um olhar direcionado pode criar expectativas, uma palavra serena pode ser sinônimo da perfeição tão esperada.

Quantas vezes se trilha um caminho crendo estarmos acompanhados quando na verdade sempre estivemos sozinhos?

Quantas vezes o outro sinaliza não estar na mesma sintonia e a gente segue acreditando que o tempo dará conta disso?

Quanto da nossa racionalidade se perde porque damos ouvidos às carências?

Quando conhecemos alguém, primeiro de tudo vem o que se pode ver, mas um ser humano é muito mais complexo do que isso: é um conjunto de sentimentos, emoções, sonhos, fantasias, atitudes… e uma ímpar história de vida.

Num primeiro momento tudo pode parecer ter o encaixe perfeito, porque nada se sabe além do que o nosso imaginário desenvolveu partindo do que se pode ver… e onde está a lucidez para reconhecer que isso não é nem o começo de uma relação consistente?

A vida precisa ser olhada como ela realmente é, com as exigência que ela requer, permitindo-se cautelosamente conhecer para só depois amar.

Não dá para se permitir amar o que não se conhece porque não tem como prever se o que se vê pode vir a ser amor… ou sofrimento.

As redes sociais estão coalhas de amor eterno e “presente de Deus” de pessoas envolvidas há poucos dias, de um imaginário fértil que faz as pessoas acreditarem que o amor perfeito existe como nos filmes, que acontece pelo acaso e que tem poder de ser ideal como num passe de mágica. O amor verdadeiro é uma construção, complexa e cheia de detalhes. É um desejo bilateral de comprometimento e foco em uma história que ambos desejam viver.

Precisamos parar e refletir sobre a vida e o futuro, sermos cautelosos. Precisamos dar o tempo para que o processo possa se desenvolver, buscar as afinidades e as diferenças e usar a inteligência emocional a nosso favor. Isso trará muito mais leveza no existir.

 

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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