Silvana Nardello Nasihgil

Abandono emocional, o que isso quer dizer?

Quando a gente se propõe a ter filhos, não importa se foram desejados ou, como muitos dizem, foi um acidente de percurso. Essas crianças chegam na vida das pessoas como um prêmio, um troféu da fertilidade.

A parte mais simples do processo é gerar e parir. O que vem depois é por muitos negligenciado, e é no acompanhamento e acolhimento desse novo ser que está todo o seu futuro.

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Todos desejam filhos equilibrados, educados, gentis, responsáveis e amorosos. Todos têm um ideal de filhos guardado nas gavetas das fantasias e no querer que tudo aconteça por si só.

Filhos são um presente maravilhoso de Deus. Filhos são seres humanos que, após o nascimento, para sobreviver precisam de cuidados de alguém. Filhos são pessoas que precisam de amor, atenção, precisam serem vistos, ouvidos e acolhidos.

Na roda da vida, girando em uma velocidade desenfreada, muitas vezes quem paga a conta são os pequenos. Abandonados emocionalmente em nome de uma carreira profissional, de um relacionamento amoroso, do celular, do trabalho… eles são preteridos e ficam em último lugar. E eles crescem, e cresce com eles um espaço vazio que muito provavelmente será ocupado por experiências que vêm do oportunismo que obscuramente tende a lhes saciar o amor que faltou.

Amar alguém não quer dizer proferir palavras bonitas, porque o amor acontece mesmo é nas atitudes, no grau de comprometimento que gerará a segurança e a certeza de que viver vale muito a pena.

Quando se apresenta a uma criança um mundo de sofrimentos, de desesperança, intrigas, falta de fé, desamor e/ou de competição emocional, não podemos desejar que essa criança cresça acreditando que é possível ter uma vida sem toda essa carga negativa que ela recebeu como informação. Isso deveria fazer refletir em como estamos conduzindo os nossos comportamentos e o que estamos apresentando aos pequenos.

Chega uma hora que a gente precisa parar de atropelar a vida e buscar refletir que tipo de pais/mães, cuidadores, estamos sendo para aqueles que buscam aprender a conduzir a vida e para quem deveríamos ser a fonte maior de amor. Chega uma hora que precisa ser feita uma revisão das atitudes e buscar descobrir e compreender qual o valor e a importância que estamos dando aos nossos filhos.

De nada adianta postar fotos abraçados em redes sociais e escrever coisas lindas se ao final do click cada um cuida de si.

Crianças serão os reflexos daquilo que mostramos a elas com palavras e atitudes. Aprenderão a respeitar sendo respeitadas, aprenderão a ouvir sendo ouvidas, aprenderão a acolher sendo acolhidas e aprenderão a amar sendo amadas.

São tantos detalhes dessa relação pais/mães/filhos que eu poderia escrever quilômetros e certamente ainda faltaria muito.

Hoje eu gostaria que olhássemos para as nossas relações e buscássemos avaliar a qualidade daquilo que estamos vivendo. Sempre há tempo de rever as nossas deficiências e consertá-las. Sempre há tempo de reverter o tanto faz, sempre há tempo de salvar a indiferença e preenchê-la de amor.

 

Psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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