Copagril
Silvana Nardello Nasihgil

Abandono emocional

 

O que estamos construindo como história de vida?

O que os nossos filhos aprenderão, como enxergarão a si, o mundo e seus semelhantes? 

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Como as novas gerações sentirão o amor? Em vídeos, mensagens? 
Como saberão o que é ser amado, o que é ser prioridade na vida de alguém?

Como conhecerão o toque, abraço, beijo, carinho, acolhimento?

Quem irá ouvi-los? A psicóloga? Muito provável!

Lamentável ver e sentir como as pessoas dedicam um tempo imensurável ao mundo virtual. Uma grande parcela tem ficado refém de um aparelho e com isso o celular tem criado vida e ocupado espaços que antes eram destinados ao convívio familiar. Então, o celular passou a ter vida própria e uma vida exigente tem sido sinônimo de vida na vida das pessoas. O celular tem sido o maior meio de contato entre os humanos, e é triste constatar como estamos desconstruindo em nós o que existe de melhor: o movimento de amar e sermos amados.
Ainda é algo, de certa forma, novo, mas já podemos perceber os frutos desse novo conceito de inclusão no mundo. Crianças, adolescentes e jovens já sofrem muito o abandono emocional, mesmo sem terem noção das reais razões.

Estamos presenciando uma geração com conflitos imensos dado o desinteresse de seus pais, mais envolvidos com as redes sociais do que com o bem-estar dos seus filhos.
Não é difícil encontrar pais que a maior ligação que possuem com os seus filhos são as poses para fotos e postagens diárias de tudo o que creem ser necessário mostrar. Postagens e frases de amor em redes sociais muitas vezes escondem a falta presencial, o amor e o acolhimento. E assim a vida tem seguido no mais absoluto automático virtual.
Não são poucas as vezes que a resposta que se dá no celular tem mais urgência do que a fome do bebê, do que o brincar, do que a escuta que insistentemente é requisitada, o cuidar e o amar. 
Precisamos repensar nossas atitudes. Precisamos urgentemente buscar um novo caminhar, precisamos olhar nossos filhos como humanos, gente que precisa de amor para crescer saudável. São seres que necessitam ser enxergados no seu processo de desenvolvimento, amparados e ensinados, valores, ética, regras de convivência, religiosidade, fé, esperança, confiança e, acima de tudo, amar e necessariamente experimentar o conforto de serem amados.

Se não fizermos isso com urgência, a vida se encarregará de dar conta. Como? Sem previsões, mas, sem dúvida, com muito sofrimento. 

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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