Arno Kunzler

Aceitar como eles são

O Papa Francisco deu uma declaração polêmica nesta semana, mais uma, mas muito importante.
Em outras palavras, o Papa pede aos pais que aceitem seus filhos como eles são, se referindo aos que têm outras orientações sexuais.
Disse que a Igreja não pode fazer casamento de duas pessoas do mesmo sexo, mas que ela pode aprovar a união legal (civil) de duas pessoas que se amam, para proteger seus interesses.
O Sumo Pontífice nunca esteve tão próximo das pessoas marginalizadas e discriminadas historicamente, como agora.
Razão pela qual ele recebe muitas críticas e a Igreja muitos questionamentos, notadamente dos setores mais tradicionais e conservadores do catolicismo.
Mas também recebe críticas de lideranças religiosas de outras denominações e muitas provocações de pessoas que não aceitam esse discurso de conciliação com as camadas da sociedade, digamos não convencional.
O Papa é antes de tudo corajoso em suas atitudes e em seus discursos.
Ao provocar reações, abre portas para discussão de assuntos que antes não eram bem-vindos ao cotidiano das famílias.
Não há como não se comover com a tentativa do Papa de abrir um caminho para dialogar e abraçar as famílias que têm problemas para compreender e conviver com pessoas diferentes.
Como não lembrar da frase do Papa ainda no começo do seu papado: “não existe mãe solteira, existe mãe”.
É preciso ser corajoso para defender o que é difícil e tão complexo, como aceitar a homossexualidade.
Ainda que estejamos vendo com os próprios olhos e percebendo a presença cotidiana, costumamos negar a existência de uma vida real de pessoas com outras orientações sexuais.
E quando nos damos conta acabamos envolvidos em discursos e reações quando não apoiamos, até sem querer, ideias e atitudes que rejeitam o convívio de diferentes.
A sociedade vai conviver com isso para sempre e nada melhor do que viver em harmonia, estimular a paz e a inclusão.
Abraçar todos os seres humanos, seja qual for a sua orientação sexual, religiosa, política e social.
O mundo precisa de mais compreensão, de mais fraternidade, de mais amor ao próximo.
Crescer como cidadão e, principalmente, como ser humano é entender que podemos ser diferentes e iguais ao mesmo tempo no respeito, na dignidade, na admiração e nas oportunidades.

Arno Kunzler é jornalista e fundador do Jornal O Presente e da Editora Amigos
arno@opresente.com.br

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