Brincando na Praça 2019
Arno Kunzler

Aconteceu…

Exatamente como estava previsto no roteiro da votação do impeachment, aconteceu.

O governo seria derrotado e alguns votos contabilizados, por conta de alianças e acordos de última hora, votariam contra o governo, no que eles chamam de efeito manada, mas também poderia ser chamado de “vendeu e não conseguiu entregar”.

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O governo, quando chega nesse ponto de uma disputa eleitoral, chega desmoralizado e ninguém, nem mesmo os deputados do baixo clero, acreditam mais nele.

Por outro lado, embora não tenham reclamado disso, até pelo resultado folgado, também alguns deputados que assumiram compromisso de votar pelo impeachment votaram contra, numa clara demonstração que, para uns, a oferta do governo funcionou.

Mas o grande medo dos políticos chama-se eleitor.

O eleitor ainda não sabe quão forte ele é perante o Poder Legislativo.

Se alguém ainda tem dúvidas que esse processo avance e seja decidido rapidamente no Senado, pode abandoná-las…

Quem poderia barrar o impeachment não o fez, que é o Supremo Tribunal Federal (STF).

Preferiu deixar os políticos, pela maioria de votos, exatamente como pressupõe um regime democrático, resolver a situação.

E agora Temer?

Bom saber que o povo não está desmobilizado e que a primeira demonstração de soberba ou de falta de conexão com a realidade, Temer terá o mesmo destino.

E agora Cunha?

Talvez o maior vitorioso durante o processo de impeachment da presidente, agora seja também o mais visado para pagar o preço de ter apeado do poder uma presidente da República.

Cunha é maior do que imaginavam os governistas, não é intocável, mas é muito bem articulado e, como diz Roberto Jefferson, o delator não premiado do mensalão, “ele agora é meu bandido favorito”.

É o único capaz de levar o PT à lona, irremediavelmente à lona.

O todo poderoso ex-presidente Lula ficou tão pequeno que nem entrevista deu depois do vexame que deu durante os meses que antecederam o impeachment.

Se o futuro presidente Temer for sensato, vai formar um governo de transição, sem a intenção de disputar a reeleição.

Nesse caso, é provável que o Brasil saia extremamente fortalecido, tanto política como economicamente desse processo.

Se Temer tiver a consciência que teve Itamar Franco, conseguirá encaminhar o país para um período de prosperidade e de crescimento econômico.

Para isso precisa construir uma aliança majoritária e depois promover as reformas.

Terá ambiente político para isso, até porque o PT se isolou com alguns partidos de esquerda, com os quais vai resmungar por alguns anos.

Vai demorar um bom tempo para que os eleitores reconheçam novamente o PT como um partido, cuja preocupação seja de fato o Brasil e especialmente o povo pobre e trabalhador.

A política econômica do PT foi tão desastrada que em nenhum tempo os bancos lucraram tanto e, por outro lado, em nenhum tempo o setor produtivo foi tão prejudicado como agora, exceto a agricultura.

E aí, convenhamos, o PT, que sempre pregou reforma agrária, fez a política da agricultura de escala, esquecendo a reforma agrária, preferindo manter os sem-terra nos acampamentos, dando-lhes comida e apoio para não pedirem terra.

O PT que sempre foi contra a especulação financeira, fez exatamente o contrário. Abriu o caminho dos bancos para verdadeiras façanhas e deixou o setor produtivo às moscas.

Preferiu a importação, ao invés de incentivar a produção interna.

O PT que sempre soube como eram os efeitos da inflação, permitiu que ela voltasse e derrubasse o poder aquisitivo de quem produz e trabalha.

Assim, cavou sua sepultura, bastou um Cunha com um pouco de ousadia e o PT ficou pequeno e agora, depois de domingo, imobilizado.

Os petistas voltaram pra casa chorando, ao ver que estavam só, que o Brasil inteiro votou contra sua política desastrada de “distribuição de renda”…

Onde a renda a ser distribuída não era fruto de produção, mas, sim, de sobretaxação.

Parabéns povo brasileiro, parabéns deputados e senadores que trabalharam para acabar com esse governo.

Agora é preciso ficar mobilizado, novas etapas tão ou mais importantes virão.

 

 

Jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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