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Dom João Carlos Seneme

Advento, tempo de espera ativa e dinâmica

Amanhã (30), 1º Domingo do Advento, iniciamos um novo Ano Litúrgico. Vamos acompanhar a vida de Jesus a partir dos relatos dos evangelhos de Marcos e João. O Ano Litúrgico evoca e atualiza a história da salvação “jᔠrealizada e é, ao mesmo tempo, promessa e antecipação da história da salvação que “ainda” deve se realizar. O Advento, neste contexto, é um apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza. Somente na vivência profunda destes elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido profundo em nossa vida e não uma simples lembrança histórica.

Este tempo de graça torna-se um itinerário que nos prepara para celebrarmos o mistério do Natal do Senhor. A palavra-chave deste domingo é a vigilância, isto é, tempo de compromisso ativo e efetivo com a construção do Reino. O Advento, ao mesmo tempo, nos revela as verdadeiras, profundas e misteriosas dimensões da vinda de Deus, também recorda o compromisso missionário da Igreja e de todo cristão para o advento do Reino de Deus. A missão da Igreja, em face do anúncio do Evangelho a todas as nações, é essencialmente baseada no mistério da vinda de Cristo, enviado pelo Pai para conduzir a humanidade à salvação.

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No Evangelho de amanhã, Jesus se encontra em Jerusalém alguns dias antes de sua morte e ressurreição. Estão com ele Pedro, Tiago, João e André. Eles representam a comunidade cristã de todos os tempos. Jesus sabe que sua comunidade deverá passar por experiências dolorosas de perseguição, divisão, tentação de abandonar a missão. Por isso, Jesus fortalece, estimula e sustenta. É neste contexto que podemos entender a passagem do Evangelho deste fim de semana: “cuidado”, “vigiem sempre”, “não se descuidem”. A pequena parábola do homem que sai em viagem e confia a responsabilidade a seus servos faz um apelo à fidelidade, coragem e vigilância. O objetivo não é revelar o “como” e “quando” tudo vai acontecer, mas fortalecer os discípulos para que se tornem capazes de enfrentar os acontecimentos com determinação e esperança. O desafio é grande porque o medo pode forçar os discípulos a buscarem proteção e se fecharem ou levá-los à resignação e acomodação.

“Estar espiritualmente preparados implica em superar a superficialidade da vida; vencer as armadilhas da sensualidade eu nos mantêm prisioneiros das coisas terrenas; desmontar o engano proveniente das necessidades da existência, que fecham cada um na busca desenfreada do seu próprio bem-estar” (cf. Bíblia Dia a Dia, 2014, Paulinas).

Os discípulos, cada um de nós, recebemos das mãos de Jesus a missão de fazer com que todos se reconheçam filhos e filhas de Deus. “Ide pelo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”. Não obstante as dificuldades, a missão deve continuar e se concretizar. Por isso, este tempo de espera não pode ser passivo, mas é um período ativo, intensamente vivido colocando em prática toda a nossa criatividade para tornar o Reino de Deus visível e palpável. Cada um nós deve se empenhar efetivamente na construção de um mundo mais humano, mais fraterno, mais justo e evangélico. “Não sabeis quando o senhor da casa volta”.

Nós, Igreja de Jesus Cristo, não podemos deixar de lado a responsabilidade da esperança. Esta é a primeira missão que recebemos de Jesus. Temos que recuperar o rosto vivo de Jesus que atrai, chama, interpela e desperta. Para isso precisamos de nos entender e viver como comunidade de esperança. Esperança que se fundamenta no Cristo Ressuscitado que “faz nova todas as coisas”. É este espírito de Natal que pode revolucionar nosso mundo. “Vigiai e orai”.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

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