Copagril – Sou agro com orgulho
Dom João Carlos Seneme

Advento: tempo de renovar o ardente desejo de possuir o Reino celeste

Neste domingo (29) iniciamos um novo ano litúrgico, oportunidade que Deus nos dá para seguir os passos de Jesus e experimentar a salvação que Ele vai trazer: é o Messias que vem para instaurar um novo tempo, novo modo de viver para todo o universo.

Este ano seremos guiados pelo evangelista Marcos. Todas as etapas do ano litúrgico querem marcar nossas vidas de modo que podemos atingir um amadurecimento espiritual e sentir Deus acompanhando nossos passos nos acontecimentos que viveremos durante o ano.

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O evangelho chama a atenção à vigilância: “cuidado, ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento”. O momento é de espera e compromisso. O texto é chamado de “discurso escatológico”. O estilo literário aponta para a parusia, segunda vinda do Senhor para o julgamento final. Não se trata de uma viagem ao futuro da humanidade e do mundo. A escatologia se apresenta como sabedoria de vida, ensinamento para superar os momentos difíceis como este que vivemos agora.

O texto de hoje se encontra no evangelho de Marcos antes da paixão de Jesus que mostra os discípulos atormentados e distraídos diante do sofrimento de Jesus.

Diante de situações difíceis precisamos ser fortes, permanecer fiéis ao compromisso e esperar pelo Senhor. É justamente o que quer dizer o evangelista Marcos quando fala da vigilância. A “atitude escatológica” dos cristãos é muito importante e consiste em vigiar sempre, em todos os momentos. Não se deixar levar pelo cansaço, nem se adormentar como os discípulos no Jardim das Oliveiras. O advento é o tempo de Deus, um momento oportuno e decisivo.

A imagem da espera vigilante do porteiro é importante. Sua atitude é eficaz porque responde ao que é exigido de cada um nos momentos cruciais da vida. O porteiro sabe esperar, observar e discernir, ou seja, ele sabe que a segurança da casa depende da sua vigilância. Na espera do Senhor, na casa-comunidade, cada um tem uma tarefa, uma responsabilidade. Através do imperativo decisivo – “Cuidado, ficai atentos. Vigiai” – o evangelista se dirige a todos os cristãos para que sejam como o porteiro que não se deixa vencer pelo sono.

Quem vigia tem olhos grandes e penetrantes, que são capazes de perscrutar a noite. Ele é capaz de perceber os sinais do Senhor que vem; quem espera não se deixa distrair no presente, mesmo amando-o, nem se aliena no futuro, mesmo preparando-o, mas consegue entender profundamente os eventos históricos, sabendo que o tempo de Deus – kairós – exige tarefa e compromisso, vigilância e atenção; este é o único modo para estar em comunhão com aquele que esperamos.

Como discípulos missionários somos alertados a não perder a esperança diante das crises, caminhando e lutando cheios de confiança porque há uma luz que nos mostra o caminho. Ele, o Emanuel que vai nascer, Deus-conosco, que, com o Espírito Santo, renovará todas as coisas.

É reconfortante para os seguidores de Jesus experimentar, que, mesmo nas situações mais dramáticas da existência humana, o Senhor está perto. Precisamos manter os olhos fixos Nele, pois é Dele que nos vem o auxílio e proteção. “Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde pode vir o meu socorro? Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e a terra” (Sl 120).

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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